Evento marca os 35 anos da Lei de Cotas e reúne mais de 700 oportunidades de emprego formal para pessoas com deficiência
Publicado em: 20/07/2026
Promovido pela Câmara Paulista para a Inclusão da Pessoa com Deficiência no Mercado de Trabalho Formal, o encontro reunirá representantes do poder público, empresas e sociedade civil no Instituto Presbiteriano Mackenzie, em São Paulo. A programação inclui o Contrata SP – Pessoa com Deficiência, iniciativa da Prefeitura de São Paulo que disponibilizará mais de 700 vagas de emprego formal com a participação de mais de 30 empresas
Ao completar 35 anos, a Lei de Cotas para pessoas com deficiência será celebrada em São Paulo com uma programação que reúne debate sobre inclusão, fiscalização, liderança feminina e acesso ao mercado de trabalho, seguida por um dos maiores mutirões de empregabilidade voltados a esse público na capital paulista. Promovido pela Câmara Paulista para a Inclusão da Pessoa com Deficiência no Mercado de Trabalho Formal, o evento acontece na próxima sexta-feira, dia 24 de julho, no Instituto Presbiteriano Mackenzie e terá como desdobramento o Contrata SP – Pessoa com Deficiência, iniciativa da Prefeitura de São Paulo que oferecerá mais de 700 oportunidades de emprego formal em mais de 30 empresas.
Com o tema “Mulheres com deficiência: inclusão, liderança e protagonismo”, o encontro reunirá representantes do Ministério do Trabalho e Emprego, do Ministério Público do Trabalho, das secretarias estadual e municipal da Pessoa com Deficiência, empresas, especialistas e entidades da sociedade civil para discutir os avanços conquistados desde a criação da Lei Federal nº 8.213/1991 e os desafios que ainda limitam a inclusão profissional das pessoas com deficiência.
A escolha do tema reflete uma realidade ainda marcada por desigualdades. Embora as mulheres representem cerca de 44% dos empregos formais brasileiros, elas correspondem a apenas 38% das pessoas com deficiência empregadas formalmente. Além das barreiras relacionadas à deficiência, muitas enfrentam obstáculos adicionais decorrentes das desigualdades de gênero, restringindo seu acesso ao mercado de trabalho, às oportunidades de crescimento profissional e aos espaços de liderança.
O debate acontece em um momento em que o país passa a conhecer com maior precisão a dimensão dessa população. Dados do Censo Demográfico de 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o Brasil possui 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com dois anos ou mais de idade.
Os dados revelam ainda que a prevalência de deficiência é maior entre as mulheres do que entre os homens e aumenta significativamente com o envelhecimento da população. Entre os diferentes tipos de deficiência, a visual é a mais frequente, afetando aproximadamente 7,9 milhões de brasileiros. As deficiências físicas ou motoras atingem cerca de 5,2 milhões de pessoas, enquanto as deficiências auditivas alcançam 2,6 milhões de indivíduos. Estima-se ainda que mais de 2,6 milhões de brasileiros convivam com deficiências intelectuais ou limitações cognitivas.
Apesar da expressiva dimensão dessa população, a inclusão no mercado formal de trabalho ainda está distante do que prevê a legislação. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), elaborados a partir das declarações das empresas ao eSocial e utilizados pela Auditoria Fiscal do Trabalho, referentes a maio de 2026, mostram que atualmente 49.082 empresas brasileiras possuem 100 ou mais empregados e, portanto, são obrigadas a cumprir a Lei de Cotas. Juntas, elas deveriam garantir 1.056.395 vagas destinadas a pessoas com deficiência e beneficiários reabilitados da Previdência Social. Desse total, 611.361 postos encontram-se efetivamente ocupados, o equivalente a cerca de 58% das vagas previstas pela legislação. Embora esse percentual venha crescendo ao longo dos últimos anos, aproximadamente 445 mil oportunidades permanecem disponíveis, evidenciando que ainda existe amplo espaço para ampliar a inclusão profissional.
A Lei nº 8.213, de 1991, determina que empresas com 100 ou mais empregados reservem entre 2% e 5% de seus postos de trabalho para pessoas com deficiência ou beneficiários reabilitados da Previdência Social. O percentual varia conforme o porte da empresa, começando em 2% para organizações com até 200 empregados e chegando a 5% para aquelas com mais de mil trabalhadores. A legislação estabelece ainda que a dispensa de um trabalhador contratado por meio da cota somente pode ocorrer após a contratação de outro profissional em condição equivalente. O cumprimento da norma é fiscalizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que pode aplicar autuações e multas às empresas que descumprem a obrigação legal.
Por que a inclusão ainda não avançou como previsto
Conforme explica José Carlos do Carmo (Kal), coordenador da Câmara Paulista para a Inclusão da Pessoa com Deficiência, médico, mestre em Saúde Pública e auditor fiscal do Trabalho aposentado, a Lei de Cotas permanece sendo a principal ferramenta de inclusão profissional das pessoas com deficiência.
“A Lei de Cotas faz parte das chamadas políticas afirmativas e nasceu do reconhecimento de que pessoas com deficiência enfrentam, historicamente, preconceito e discriminação quando buscam uma oportunidade de trabalho. Ela continua sendo a mais importante garantia de acesso ao emprego formal para essa população”, afirma.
Segundo Kal, os resultados alcançados ao longo das últimas três décadas demonstram a importância da legislação, mas também evidenciam que ainda há um longo caminho a percorrer. “Existe um contingente expressivo de pessoas com deficiência aptas ao trabalho, com formação e disponibilidade para exercer as mais diferentes funções. O principal obstáculo continua sendo o preconceito. Ainda há quem imagine que a deficiência reduz a capacidade de contribuição dessas pessoas para as empresas, quando a experiência demonstra exatamente o contrário”, afirma.
O coordenador da Câmara Paulista afirma também que as pessoas com deficiência possuem plena capacidade para atuar em diferentes áreas profissionais quando encontram ambientes acessíveis e oportunidades reais de desenvolvimento. “As pessoas com deficiência têm plena capacidade de trabalhar, produzir, liderar equipes e contribuir para os resultados das organizações. O que muitas vezes falta não é qualificação ou interesse, mas oportunidade. Quando eliminamos barreiras e garantimos acessibilidade, elas demonstram competência em todas as áreas de atuação”, reforça.
Segundo ele, uma das manifestações mais frequentes desse preconceito é o capacitismo, conceito que define atitudes e comportamentos baseados na ideia equivocada de que pessoas com deficiência seriam menos capazes de estudar, trabalhar, liderar ou participar plenamente da vida social. “O capacitismo faz com que outras pessoas decidam previamente o que alguém com deficiência pode ou não fazer. Em vez de perguntar à própria pessoa sobre suas capacidades, criam-se limitações que muitas vezes não existem. Essa continua sendo uma das principais barreiras para a inclusão.”
Outro tema que será debatido durante o encontro é a chamada pejotização. A prática reduz a base de cálculo utilizada para definir o número de vagas destinadas às pessoas com deficiência, contribuindo para diminuir oportunidades de inserção profissional. O assunto também integra a Carta em Comemoração aos 35 anos da Lei de Cotas, documento que será lido durante o evento.
O texto reafirma que ações afirmativas não representam privilégios, mas instrumentos necessários para enfrentar desigualdades históricas. A carta também destaca que o argumento frequentemente utilizado por empresas de que não existem pessoas com deficiência qualificadas ou interessadas em trabalhar não encontra respaldo na realidade observada pelos órgãos públicos e pelas entidades que atuam na área.
35 depois, o desafio é transformar acesso em protagonismo
A programação foi construída para discutir diferentes aspectos relacionados à inclusão profissional e ao protagonismo das mulheres com deficiência. Após o café receptivo e uma apresentação musical, a abertura será conduzida por José Carlos do Carmo. Na sequência, representantes do Ministério Público do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego, da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e do Instituto Nacional do Seguro Social participarão de um painel dedicado à importância da fiscalização e da defesa dos direitos.
O segundo painel abordará a relação entre inclusão e sustentabilidade corporativa, reunindo representantes da Bayer e da Coca-Cola Femsa para discutir como a diversidade e a inclusão vêm sendo incorporadas às estratégias de gestão das organizações. Em seguida, representantes do Comitê Paralímpico Brasileiro e especialistas da área de empregabilidade discutirão os desafios e as oportunidades existentes para profissionais com deficiência no mercado de trabalho, com foco especial na ampliação da participação feminina e na ocupação de espaços de liderança.
O encontro contará ainda com homenagens a personalidades que contribuíram para a promoção dos direitos das pessoas com deficiência e com a leitura da Carta em Comemoração aos 35 anos da Lei de Cotas. O documento reafirma a importância da legislação como instrumento de justiça social e defende o fortalecimento das ações de fiscalização, da acessibilidade e das políticas públicas voltadas à inclusão.
Ao completar 35 anos, a Lei de Cotas permanece como a principal garantia de acesso ao emprego formal para pessoas com deficiência no Brasil. Para os organizadores, o momento é de reconhecer avanços importantes, mas também de reforçar a necessidade de transformar inclusão em participação efetiva, oportunidades de crescimento profissional e protagonismo.
Contrata SP oferece mais de 700 oportunidades de emprego formal
Encerrando a programação, os participantes poderão participar do Contrata SP – Pessoa com Deficiência, mutirão promovido pela Prefeitura de São Paulo, por meio das secretarias municipais da Pessoa com Deficiência e de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, com apoio da Câmara Paulista para a Inclusão da Pessoa com Deficiência no Mercado de Trabalho Formal e do Instituto Presbiteriano Mackenzie.
Mais de 30 empresas participarão da ação realizando processos seletivos para mais de 700 vagas de emprego formal em áreas como comércio, serviços, logística e saúde. Os salários variam entre R$ 1.458 e R$ 5.352, contemplando diferentes níveis de escolaridade e experiência profissional. Entre as empresas participantes estão Decathlon, Pão de Açúcar, Dia Brasil, Oxxo, Camicado, Hospital Santa Marcelina, Shopee, SulAmérica, Comitê Paralímpico Brasileiro e Mercado Livre.
Além das oportunidades de trabalho, o mutirão contará com estrutura de acessibilidade para candidatos surdos ou com deficiência auditiva, incluindo intérpretes de Libras e atendimento por meio da Central de Intermediação em Libras (CIL). Os interessados poderão se inscrever previamente pelo Portal Cate até 23 de julho ou comparecer diretamente ao local no dia do evento.
Serviço
35 anos da Lei de Cotas – Trabalho: um direito de todas as pessoas
Tema: Mulheres com deficiência: inclusão, liderança e protagonismo
Mutirão: Contrata SP – Pessoa com Deficiência
Data: 24 de julho de 2026 (sexta-feira)
Local: Instituto Presbiteriano Mackenzie
Rua da Consolação, 930 – Higienópolis – São Paulo (SP)
Programação institucional: 8h às 11h30
Contrata SP – Pessoa com Deficiência: 9h às 16h
Inscrições para o Contrata SP: até 23 de julho, pelo Portal Cate, ou presencialmente no dia do evento.
Documentos necessários: RG, CPF, carteira de trabalho (física ou digital), laudo médico atualizado e cópias do currículo.
Credenciamento para cobertura de imprensa com Moura Leite Netto / [email protected] / 11 99733-5588
Mais informações: https://leidecotas.camarainclusao.com.br/
Sobre a Câmara Paulista Pela Inclusão da Pessoa com Deficiência – Criada em 2011 por iniciativa da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP), a Câmara Paulista para a Inclusão nasceu como desdobramento de um estudo realizado pela SRTE/SP sobre a opinião das entidades de promoção dos direitos da pessoa com deficiência em relação às prioridades no debate sobre a inclusão profissional no país. Inicialmente foram ouvidas cerca de 80 organizações da sociedade civil do Estado de São Paulo. Seu propósito é ampliar o acesso e a qualidade da inclusão profissional da pessoa com deficiência, por meio de ampla participação social e do fortalecimento da ação fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Informações à Imprensa
SENSU Consultoria de Comunicação
Moura Leite Netto
(55) 11 99733-5588
[email protected]
Nas fotos abaixo, vários momentos de celebração e de organização dos eventos de aniversário da Lei de Cotas, ao longo dos anos.


















