23% dos jovens brasileiros com baixa mobilidade e sem comprometimento cognitivo são analfabetos.

Publicado em: 05/10/2026


O acesso à Educação formal é de grande relevância para a autonomia e o ingresso na vida profissional, porém o Brasil ainda precisa melhorar muito para oferecer uma educação inclusiva, tanto nas escolas públicas quanto nas escolas privadas

Fonte e reprodução: @estudantesninja

Cerca de 23% dos jovens brasileiros com dificuldades de mobilidade, mas sem qualquer comprometimento cognitivo, são analfabetos. Apenas 65,6% dos adolescentes de 15 a 17 anos com grau de deficiência profunda estão na escola, contra 85,4% dos sem deficiência.

Esse dado, indicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) através do estudo “Pessoas com Deficiência (PcD) e as Desigualdades Sociais no Brasil”, evidencia como barreiras estritamente físicas, de infraestrutura e de acessibilidade continuam a marginalizar e a privar milhares de pessoas do direito fundamental à educação básica no país, mesmo quando não há qualquer limitação de aprendizagem.

A taxa de analfabetismo entre esses jovens com limitação motora supera de forma alarmante a média nacional do restante da população na mesma faixa etária. A disparidade reflete um cenário de exclusão sistêmica, em que a falta de adaptações adequadas no ambiente escolar, como rampas, elevadores, calçadas acessíveis e transporte adaptado, impede a chegada e a permanência desses estudantes na sala de aula.

Além das barreiras arquitetônicas e de transporte público ineficiente, a falta de apoio pedagógico especializado e de recursos assistivos reforça o isolamento desse público. A ausência de políticas integradas para atender às necessidades específicas de mobilidade faz com que muitos jovens desistam precocemente dos estudos ou sequer consigam ingressar na rede formal de ensino.

O estudo também evidencia a falta de estruturas em escolas particulares. 34,5% das escolas públicas possuem sala de recursos multifuncionais contra apenas 15,2% das escolas particulares. O mais agravante é a ausência de profissionais de apoio: enquanto 32,8% das escolas públicas contam com esse tipo de profissional, apenas 4,6% das escolas particulares o possuem.

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