Especialista explica por que “Abril da Aceitação do Autismo” substituiu o termo “Abril Azul”

Publicado em: 23/04/2026


Cercadas de estigmas e desconhecimento, 85% das pessoas no espectro autista ainda estão fora do mercado de trabalho formal. Em entrevista exclusiva para o site da Câmara Paulista de Inclusão, especialista dá orientações para uma entrevista inclusiva para pessoas no TEA.

Por Sergio Gomes para o site da Câmara Paulista para a Inclusão da Pessoa com deficiência

         Em alguns casos a mudança de nomes pode ser considerada modismo, mas geralmente a evolução das denominações carregam significados muito relevantes que merecem ser conhecidos. Estamos encerrando o mês chamado por alguns durante décadas de “Abril Azul”. Porém o termo Abril Azul está cada vez mais em desuso e, cada vez mais, não é bem aceito pela comunidade autista e ativistas, com fortes motivos para isso: o azul faz alusão à antiga proporção de de 4 homens com autismo para 1 mulher com autismo. Com o avanço do conhecimento sobre o Transtorto do Espectro Autita (TEA), não é mais admitido cientificamente que o autismo tenha um gênero, o masculino, associado antiquadamente a cor azul. Considera-se ainda relevante que o termo Abril Azul foi popularizado por organizações que, historicamente, tratam o autismo como uma doença e que deve ser curada, teoria que já não se sustenta com os conhecimentos da atualidade.

Marina da Silveira Rodrigues Almeida concedeu entrevista exclusiva para o site da Câmara.

         Como parte da celebração do Abril da Aceitação do Autismo, entrevistamos a psicóloga Marina da Silveira Rodrigues Almeida.  Com mais de 36 anos de experiência, Marina é psicóloga clínica e escolar, neuropsicóloga e psicopedagoga. Atualmente, ela é a proprietária e diretora do Instituto Inclusão Brasil, localizado em São Vicente, litoral de São Paulo. Sua prática clínica é referência no atendimento a adultos com TEA, TDAH em Adultos, Avaliação neuropsicológica e intervenção clínica, e ela é autora de diversas obras publicadas pela Editora Didática Paulista na série “Caminhos Para Uma Inclusão Humana”.

Câmara Paulista para Inclusão da Pessoa com Deficiência
Marina, você pode falar um pouco da sua trajetória, como você começou?

Marina Almeida
A minha formação inicial foi por volta de 1980, na área que ainda era chama de ‘Pedagogia do Excepcional’. Posteriormente fiz pós-graduação na área da Educação Inclusiva, na área da deficiência intelectual e deficiência auditiva, e foi quando eu comecei a atender muitas crianças que, na época, eram as mais difíceis e eram as autistas. Decidi fazer Psicologia para entender melhor o autismo e nunca mais deixei de investir em estudos e me interessei no atendimento precoce destas crianças. Fiz pós-graduação em Psicopedagogia e Arte Terapia para trabalhar criatividade e inteligências múltiplas, inclusive a inteligência emocional, então fiz especialização em Neuropsicologia. Até quatro anos atrás, eu atendia crianças, adolescentes e adultos e, agora, só me dedico na área de adultos típicos ou neurodivergentes.

Câmara Paulista para Inclusão da Pessoa com Deficiência

Marina, enquanto eu fazia pesquisa para a pauta, eu descobri que 30% dos autistas ou não têm renda ou estão desempregados. Na sua experiência no consultório, como isso impacta os pacientes com autismo?

Marina Almeida

Olha, Sérgio, a realidade das estatísticas é bem pesada porque quase 85% das pessoas no espectro autista estão fora do mercado de trabalho formal hoje. O censo de 2022 mostrou que milhões de brasileiros ainda enfrentam barreiras estruturais gigantescas e muitos acabam presos em subempregos ou na informalidade. Isso varia demais conforme o nível de suporte que cada um precisa e a gente ainda tem um grupo enorme de pessoas que vivem sem um diagnóstico oficial.

Na minha clínica eu vejo muito isso de perto. Tenho pacientes que são concursados no Judiciário ou na Receita Federal, além de médicos e muita gente da área de tecnologia que presta serviço para multinacionais. Também atendo muitos universitários de cursos difíceis como medicina e engenharia que brilham na parte técnica, mas acabam travando no mestrado ou no doutorado por causa da pressão social e das metas de publicação. O que mais me marca são os diagnósticos tardios em professores e doutores que passaram a vida inteira no modo de sobrevivência e só descobriram o autismo depois de chegarem ao burnout ou enfrentarem quadros graves de depressão e ansiedade.

Câmara Paulista para Inclusão da Pessoa com Deficiência

Quais são os ‘ajustes razoáveis’ que as empresas mais negligenciam na hora de contratar um autista?

Marina Almeida

O primeiro é já o processo de seleção rígido. As entrevistas geralmente usam nuances sociais de comunicação não verbal que costumam desfavorecer os autistas. ‘Fale sobre você’. Aquela pergunta jargão. Me diga seus aspectos positivos e negativos. Para o autista isso é subjetividade pura, eles não entendem esse tipo de pergunta. Então é melhor assim, descreva pontualmente a sua formação e a sua qualificação. Então pergunta clara e objetiva. Cite os pontos aos quais você se interessou para aplicação desse cargo. As barreiras sensoriais, né? Se ele for num ambiente que é com iluminação muito branca, ruídos, mudanças bruscas na rotina, olha, senta aqui, agora aguarda ali, espera aqui, uma dinâmica de grupo, ele já reprovou. Então, é um ambiente que não é adequado para a pessoa autista, porque ela vai receber uma sobrecarga sensorial e um impacto na comunicação e relação social recebida. Então ela vai ser avaliada pelo déficit e não pela competência. Estigmas e desconhecimento, um outro ponto. Falta de treinamento das equipes [do RH], gerando preconceito, onde as capacidades profissionais dessa pessoa são subestimadas ou limitadas a estereótipos. Então ele também é avaliado dentro de estereótipos criados, ou midiáticos ou capacitistas, por falta de capacitação das pessoas das empresas RH. Subempregos, muitos dos autistas contratados ocupam funções incompatíveis com suas qualificações reais. Então vamos quebrar o galho, o sistema de cotas? Vamos colocar esse cara aqui porque a gente está precisando fechar nossa cota? Coloca ele aqui. Mas não fazem as adaptações, o que a gente chama razoáveis, como um recrutamento que foi adaptado, com testes práticos, habilidades e descrições do cargo claro para ele entender qual aplicação ele está prestando. Às vezes ele precisa de um mediador para ele entender como é o funcionamento de rotina, onde é a mesa dele, onde é o banheiro, porque ele pode não perguntar nada. Ele pode apenas observar. Então, ficam assim, gastando uma energia gigante para tentar adivinhar as pistas sociais, como é que se comporta, onde são as coisas. Então, é importante apresentar, colocar, vamos supor que vários trabalhos de mesas ou aquelas, baias de treinamento. Então assim, vamos arrumar uma baia para você onde tem uma luminosidade reduzida. Fora, que não seja perto de banheiro nem de café, porque nós temos aí a questão sensorial do odor, do olfato. Inclusive, é importante perguntar quais são as sensibilidades sensoriais dessa pessoa. Se você não perguntar, você não vai conseguir fazer as adaptações razoáveis. Previsibilidade da entrevista. Então, quanto tempo vai durar? Com antecedência. Autista precisa de previsibilidade. Então, olha, vamos dar um prazo. Olha, nesse período, da próxima semana, nós poderemos entrar em contato com vocês. Então, se não tem um dia certo, dá uma previsão de um espaço temporal é igual o período, manhã ou tarde, para que essa pessoa não chegue nessa entrevista toda desorganizada pelo fato de estar numa situação imprevista e que ela quer muito o cargo, a aplicação daquela promoção. Ambiente controlado. Então, a gente observar esses detalhes logísticos. Foco técnico, a gente usa também uma outra dinâmica. Que a gente chama de testes práticos de habilidade. Work  Samples. Work Samples, é ‘me mostre como é que você usa a planilha do Excel’. E mostre como você cria um relatório. Então coloca o autista, porque ele é bom. No quê? Na prática, porque ele é lógico. Você vai avaliar competência técnica ao invés de carisma. Para o autista você não vai avaliar carisma, você vai achar que às vezes ele vai fazer uma pergunta muito direta, às vezes sem filtros. Eles vão mostrar um nível de inteligência que vai parecer um tipo de arrogância, mas essas são qualidades dele que não estão lá tão refinadas e não são compreendidas. Não têm empatia, que é uma outra crítica que eu sempre faço. Não é que o autista não tem empatia, ele não tem repertório para nomear as situações. Às vezes, nem ele sabe qual sentimento está em jogo. É o contrário. O que eu mais vejo da minha experiência desde os anos 80 é o contrário, eles se afetam pelas emoções, alguém machucado, alguém triste, um acidente, eles não sabem o que fazer naquela situação, eles não sabem nomear, eles não sabem perguntar, tipo, você está chorando? Posso te ajudar? Essas perguntas não tem no repertório de inteligência emocional. Porque não reconheceram também que eles ficam tristes, podem chorar e podem ser acolhidos. Então a gente só oferece aquilo que tem. Se eu não tenho o repertório, eu não posso oferecer. Aí são tidos como, ‘não tem empatia nenhuma, cara de paisagem’, eles ficam muitas vezes congelados naquela situação, não tem a menor ideia do que é para fazer e o que esperam dele. Então, sem tempo, desmontar esse mito de que autistas não sentem nada, não têm empatia. Então, eles têm o que a gente chama de um déficit da teoria da mente. Dificuldade de abstração. Isso é aprendido. Por isso que eles precisam de suportes psicológicos, terapia ocupacional para aprender a lidar com a modulação sensorial, se tem alguma questão fonoaudiológica, então é importante fonoaudiólogo. O autismo nunca vem sozinho, ele é sempre comórbido. Então ele sempre é acompanhado de ansiedade, depressão, transtorno obsessivo ou outras comorbidades, como transtorno de personalidade borderline, transtorno do humor bipolar, dentre outros, além das características próprias fenotípicas. Então, por isso a importância do nível de suporte e do acompanhamento multidisciplinar, coisa que nós não temos hoje suficientemente, nem na rede pública e nem na rede privada. Temos poucos profissionais qualificados para atender autistas adultos ou autistas idosos. Porque hoje, gente, a formação ainda atida no universo autista é criança, pode ver, todo mundo, não consegue ver um autista adolescente, adulto e muito menos idoso. Então, continua muitos, profissionais na área da infância e adolescência, mas nós temos um gap enorme na área da vida adulta e muito menos na área de idosos. Então assim, somos nós aqui, dinossauro rex, que viemos dos anos 80, quando tudo começou e chegou no Brasil, fiz parte do Primeiro Congresso Internacional de Autismo. Então eu venho dessa época, dessa formação boa, hard, com qualificação. Hoje as formações são rasas, 30 horas online, formações muito superficiais para atender pessoas que têm uma complexidade singular. Olha, o autismo é um diagnóstico, mas a pessoa é muito mais do que um código em um manual médico. Cada um tem um funcionamento único e singular, então os níveis de inteligência e a sensibilidade sensorial variam demais de caso a caso. Eu costumo dizer que é como uma cebola, onde o autismo é o núcleo e as camadas em volta são as comorbidades e as camuflagens que a pessoa desenvolveu ao longo da vida. Por isso, um diagnóstico tardio em um adulto de 40 ou 60 anos é completamente diferente de um feito em uma criança.

No dia a dia do trabalho, pequenas adaptações fazem uma diferença enorme. Criar zonas de silêncio ou áreas de descompressão ajuda a pessoa a se recompor em momentos de crise ou estresse. Também é importante ter flexibilidade para o uso de equipamentos como fones com cancelamento de ruído ou óculos escuros para quem tem muita sensibilidade à luz. Eu sempre defendo o trabalho híbrido porque o isolamento total do home office pode acabar prejudicando as habilidades sociais, então o ideal é encontrar um equilíbrio que respeite o limite de cada um.

O burnout autista é algo sério e acontece muito por causa dessa sobrecarga sensorial e da tentativa constante de se encaixar. Ter pausas programadas e flexibilidade de horário ajuda muito a manter a saúde mental do profissional. No fim das contas, a gente precisa mesmo é de uma cultura de acolhimento nas empresas. Não se trata de grandes reformas físicas, mas de ter a sensibilidade de perguntar para o colaborador quais ajustes simples podem ser feitos para que ele se sinta bem e consiga produzir sem sofrimento.

 Câmara Paulista para Inclusão da Pessoa com Deficiência

Quais são as queixas que os pacientes autistas fazem quando eles já estão integrados no ambiente de trabalho? As queixas que eles fazem, as barreiras que eles enfrentam para se manter naquela colocação que eles já conseguiram.

Marina Almeida

Olha, Sérgio, as dificuldades no trabalho geralmente começam na falta de uma comunicação mais direta. Os autistas acabam sendo muito rotulados como grossos ou arrogantes só porque o jeito deles é diferente. Outro ponto complicado é empurrar essas pessoas para cargos de liderança só por causa da competência intelectual. Muitos não querem ser líderes de equipe porque lidar com muita gente e dar feedbacks causa um receio enorme. Eu trabalho isso com meus pacientes para que eles entendam que podem liderar do jeito deles, com organização e pautas antecipadas, sem precisar fingir que são pessoas típicas.

Existe também um problema sério de sobrecarga e até de abuso. Como eles costumam ser muito bons no que fazem, acabam recebendo tarefas demais. No caso das mulheres, o risco é ainda maior com assédios e relações tóxicas que elas às vezes demoram a perceber. Já com os homens, vejo muito bullying e aquele capacitismo velado, sabe? Aquela coisa de tratar o profissional como se fosse uma criança inteligente.

Outra queixa constante é o excesso de informações de uma vez só. Se você passa várias demandas e ainda marca reunião e happy hour na mesma frase, a pessoa trava. O autista precisa de previsibilidade e de instruções por escrito para entender a lógica das tarefas.


Câmara Paulista para  Inclusão da Pessoa com Deficiência Parece estar acontecendo um “boom” de diagnósticos de autismo em pessoas adultas, por que isso está acontecendo?

Marina Almeida
Olha, Sérgio, eu até escrevi um artigo sobre isso porque existem inúmeras variáveis para esse aumento nos diagnósticos. Primeiro que o conceito de autismo virou um grande guarda-chuva e hoje cabe muito mais gente nele. Outro ponto é que muitas mulheres ficaram sem diagnóstico por muito tempo porque os marcadores de desenvolvimento nelas são diferentes dos homens. Antigamente a gente só diagnosticava casos muito graves em meninas, mas hoje sabemos que o fenótipo feminino é diferente e as pesquisas ainda são muito focadas no universo masculino. Nas meninas, a disfuncionalidade costuma aparecer mais na adolescência porque elas fazem muita camuflagem para tentar ser sociáveis e fofinhas conforme a cultura exige.

Isso acabou criando um vácuo enorme e muitas mulheres foram diagnosticadas apenas com ansiedade ou depressão quando a base de tudo era o autismo. Mas tem um outro lado que eu concordo plenamente que é uma certa produção fake de diagnósticos. Tem gente se passando por autista para conseguir direitos e cotas em concursos ou escolas. É assustador ver que as estatísticas estão chegando a um autista para cada trinta e três pessoas porque isso está pareando com a população típica. Para um diagnóstico tão complexo e com base genética essa proporção está ficando muito estranha.

Claro que existem fatores reais como a idade mais avançada dos pais e questões ambientais como a exposição a metais pesados que são predispositores. Além disso, o autismo virou um nicho de mercado gigantesco para medicações e terapias milagrosas. O Brasil infelizmente é um epicentro de fake news e promessas de curas que não existem. Também tem essa romantização perigosa de artistas e políticos que tratam o autista como um anjo azul ou alguém com superpoderes. Isso atrapalha muito porque esconde o sofrimento real de quem tem o transtorno. Na verdade, quase quarenta por cento dos autistas têm deficiência intelectual e os níveis dois e três precisam de suporte em tempo integral, mas todo mundo só quer falar do autista fofo nível um. No fim das contas estamos vivendo um contexto muito desafiador onde o diagnóstico muitas vezes vira mercadoria e a complexidade humana acaba se perdendo no meio de tanto barulho.

Câmara Paulista para  Inclusão da Pessoa com Deficiência
E a falta de inclusão dos pacientes autistas no lazer, na vida social, como isso impacta a saúde deles?

Marina Almeida
É relevante, porque tem espaços de lazer que são extremamente inadequados para autista. Por exemplo, shopping. Se ele for passear, depende. Agora está sendo obrigatório criar os espaços para salas sensoriais, como aeroportos. Então, se ele vai viajar, ele pode. A prioridade do embarque, se vai para algum lugar, nem tudo. É respeitado para pessoas autistas, é por isso que é importante o uso do cordão para ter prioridade, lugares muito iluminados, transtornos sensoriais, dificuldades na comunicação, então depende, autista gosta de fazer suas viagens organizadas e programadas. Então, eles foram aprendendo os lugares que eles conseguem ficar bem, viajam muito fora do país, geralmente autistas falam outros idiomas, aprendem com facilidade, outros nem tanto, mas gostam de lugares de natureza, onde buscam caminhadas, contatos com pessoas se conectem com eles. Então, a natureza, lugares com mar, mas nada daquela coisa de excursão. A city tour jamais para o autista. Então, essas acomodações da organização de linguagem, a luminosidade, as questões sensoriais precisam ser pensadas, e o nível de exposição. Quando é casado, às vezes a mulher gosta mais de praia, quer ficar torrando o dia inteiro, e para o autista, muito calor ou muito frio, eles não suportam a regulação. Areia, muitos autistas odeiam areia. Então vai ter que negociar como a gente vai fazer esse acesso à praia, ou buscar uma piscina, tudo isso tem que ser pensado. Lugares muito cheios não adianta, não funcionam, ele volta pior do que foi. Então essas adaptações de lugares são muito pessoal, precisa ser pensado para que aquela viagem não se torne um sofrimento. Tipo de roupa, o que vai ser usado naquela situação. Então é preciso de uma prévia um pouco mais elaborada para que ele possa se organizar e ir no hotel fazenda, não em feriados, geralmente dias de semana. Então é uma logística, Sérgio. Diferente, pelo menos assim eu vejo a grande maioria. Outros não. Tem autistas que têm muita boa tolerância, viagens, mas daí eles ficam com problema de exposição social. Eles mandam bem em várias áreas, mas assim, um aguenta exposição social de duas horas com os amigos, outros menos, outros aguentam quatro horas, mas dá rebote, sempre dá um pouquinho de rebote de fadiga social.


Instagram Marina

Instagram Instituto

Instagram Autismo

Site instituto

Site e-books

Site psicóloga

Canal YouTube

LinkedIn

Facebook Marina Almeida

Facebook Instituto

Grupo Facebook Instituto

Grupo Facebook Filmes e documentários

WhatsApp: https://w.app/wvuisu

Voltar para Notícias