Instituição pioneira no atendimento a pessoas com autismo faz orientações sobre inclusão

Descrição da imagem: Mulher ensina criança a interagir. Ela tem as duas mãos espalmadas com as dele e pronuncia uma palavra enquanto é observada por ele.

Publicado em: 28/08/2017


Criada há 34 anos por um grupo de pais da Igreja Batista que tinham filhos com autismo, a AMA (Associação de Amigos dos Autistas) foi pioneira em ação escolar inclusiva, quando ainda havia muita dificuldade para encontrar recursos e materiais adequados para lidar  com transtorno do espectro autista. Hoje a ONG tem convênios com as Secretarias do Estado da Saúde e da Educação, e sua diretoria continua a ser composta por pais em busca de melhores formas e metodologias para a educação de seus filhos com autismo.

Atualmente AMA atende cerca de 180 pessoas com autismo em cinco unidades: rua do Lavapés, para crianças de até 12 anos; Rua Luís Gama, para jovens e adultos com autismo de alto funcionamento e ou síndrome de Asperger (SA); Rua Teodoreto Souto, para jovens e adultos com autismo mais grave, e sítio de Parelheiros, com residência terapêutica e atendimento de meio período para não residentes (todo espectro do autismo e de qualquer faixa etária).

Na quinta e mais recente unidade, o CAISME Philippe Pinel também oferece atendimento para pessoas com transtorno do espectro do autismo em qualquer faixa etária. A AMA oferece atividades pedagógicas, ensino de atividades de vida diária, atividades físicas, apoio à inclusão escolar, grupos terapêuticos, cursos de treinamento e capacitação profissionais, entre outros.

Para Carolina Ramos, coordenadora pedagógica da AMA, o conhecimento sobre o autismo está bem melhor atualmente e os profissionais mais habilitados. “As crianças são diagnosticadas por volta dos três anos de idade, de forma que podemos começar a trabalhar a interação social e a comunicação mais cedo”.

O diagnóstico da síndrome de Asperger, incluída no espectro autista,  se faz a partir de observação clínica, com pontuação de características auferidas pelos médicos. O treinamento comunicacional e a terapia comportamental podem ajudar pessoas com SA a conviver melhor e a obter ganhos de qualidade nas interações sociais e profissionais.

Existem sintomas que as pessoas do espectro do autismo apresentam e que, segundo Carolina Ramos, os pais devem buscar orientação médica, caso observem cinco ou mais. São eles: resistência ao contato físico, não demonstrar medo de perigos reais, agir como se não escutasse, ter comportamento diferente (agressivo e destrutivo, risos e movimentos não apropriados) e por vezes arredio, resistência ao aprendizado, dificuldade na comunicação, não se misturar com outras crianças, usar pessoas como “ferramentas”, girar objetos de maneira bizarra e peculiar, resistir a mudanças, não manter contato ocular, apego não apropriado a certos objetos e acentuada hiperatividade física.

Características do espectro autista

Dados

A literatura atual aponta que um a cada 86 nascimentos (alguns estudos apontam até um a cada 61) estão no espectro do autismo, sendo de 3 a 4 meninos para uma menina.

Diferente de uma criança que tem o desenvolvimento padrão – que aprende por observação ou por meio de experiência – a inclusão de pessoas com autismo depende de que tudo seja ensinado, inclusive coisas muito básicas, mesmo para os que estudam e vão para a faculdade. “Eles não sabem o que fazer se algo sai da rotina aprendida”, afirma a pedagoga Carolina Ramos. Para auxiliá-los, a AMA desenvolveu um guia para situações que fujam da rotina, mesmo em coisas simples como passar do ponto de ônibus em que precisava descer.

Inclusão bem planejada

“A inclusão para pessoas com autismo tem que ser cuidadosamente planejada e deve acontecer para os que têm condições e habilidades para isso, pois a pessoa com autismo tem dificuldades na interação social, que não se resolvem somente por estar no meio de outras crianças ou pessoas”. Ela não aprende por exploração do ambiente ou observação voluntária, necessitando de um preparo para entender o que vai ser feito e de uma organização para que compreenda o sistema de comunicação. Para os autistas que não falam, é utilizado o sistema de comunicação por troca de figuras.

“Temos que nos preocupar também com o que está sendo solicitado deles, que trabalham muito melhor com rotinas para atividades diárias”. Mas não é só um roteiro. “É preciso compreensão de como a pessoa com autismo entende o que está sendo solicitado dela, para diminuir a angustia sobre o que pode acontecer”, finaliza Carolina Ramos.

A AMA oferece cursos e palestras gratuitas. Telefone: (11) 3376-4400 Fax: (11) 3376-4403

E-mail: [email protected] Site: www.ama.org.br

 

Por Stela Masson, 26/08/2017

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