Novo presidente do Equador é militante da inclusão

De terno escuro, echarpe verde sobre o terno e na cadeira de rodas, Lenin Moreno tem os cabelos grisalhos, a pele clara e está com a mão direita erguida e punho fechado. Bandeiras verdes tremulam em sua frente e luzes verdes iluminam o palco.
Lenin Moreno comemorando a vitória da presidência do Equador em 2 de abril último (Foto: Mariana Bazo/Reuters)

Publicado em: 24/06/2017


O presidente vitorioso do Equador, que recebeu  51,10% dos votos nas eleições do dia 2 de abril de 2017, nasceu em uma família de classe média em Nuevo Rocafuerte,  pequena cidade na província amazônica de Orellana, em 1953. Mais tarde se mudou com sua família para a capital, Quito, onde estudou e obteve um diploma em administração pública.

Sua carreira começou em 1976, como diretor do Centro de Treinamento Profissional Continental. Anos depois, assumiu um cargo administrativo no governo, até que um assalto sofrido em 1998, provocasse nele uma transformação existencial. A cena não durou mais que um minuto. Dois bandidos pediram sua carteira e a chave do carro no estacionamento de um supermercado em Quito. Ele deu, mas mesmo assim levou um tiro pelas costas. Além de ficar paraplégico, sofria dores tão alucinantes que apelou para a pouco conhecida terapia do riso.

Desde então, escreveu vários livros sobre a importância do humor, das boas risadas e das piadas. Publicou cerca de 10 obras sobre a superação da adversidade, incluindo “Teoría y Práctica del Humor” e “Filosofía para la Vida y el Trabajo“.

Abandonou a militância esquerdista tradicional, e virou uma espécie de guru da autoajuda. Como vice do ex-presidente do Equador Rafael Correa, criou projetos para ajudar pessoas com  deficiência – segmento há muito esquecido tanto no Equador, como na maioria dos países em desenvolvimento. Encabeçou programas sociais, médicos e econômicos para esse público, recebendo vários prêmios internacionais por suas iniciativas e, em 2012, foi nomeado para o Nobel da Paz.

Durante sua recente campanha, o atual presidente do Equador prometeu “um governo com harmonia, para todos”. Pai de três filhas, Lenín Boltaire Moreno Garcé, com seu nome original e sua história excepcional de vida, teve a oportunidade à qual todos devem aspirar: ser reconhecido por seus atos, não por raça, cor, origem, sexo ou meio de locomoção.

Fontes: http://veja.abril.com.br/blog/mundialista/o-leninista-eleito-presidente-e-outros-cadeirantes-importantes/

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/quem-e-lenin-moreno-o-novo-presidente-do-equador-por-enquanto/

Stela Masson, 06/06/2017

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