Redes Empresariais de Inclusão Social da América Latina se reuniram no Peru

Andrea Regina, representante da Rede para Inclusão brasileira é loira, está ao lado esquerdo do banner, usa colete preto com gola bege

Publicado em: 19/09/2017


 

 

 

 

 

 

Países como Brasil, Chile, Costa Rica, México e Colômbia enviaram representantes para encontro da Rede Empresarial das Américas, realizado em Lima, no final de agosto deste ano. Andrea Regina, Gerente Executiva de Sustentabilidade Corporativa Latam da Serasa, foi a representante da Rede Empresarial do Brasil na reunião “Coperación Sur Sur – Rede Mundial – OIT Lima”, e seus relatos trouxeram um rico panorama do encontro.

O princípio da “Cooperación Sur Sur” é a solidariedade para se compartilhar o conhecimento – que deve ser sistematizado para replicação e implementação de suas práticas em outros países. Visa também ajudar a endereçar um determinado tema em parcerias entre regiões ou países. Outro ponto importante é firmar compromisso dos governos locais com investimentos para se compartilhar e implementar as práticas.

Por dentro do evento

O primeiro dia do encontro das Américas foi de apresentações de empresas inclusivas, como Carrefour (Argentina), Repsol (Peru), Colcafé (Colômbia) e  das próprias  Redes Empresariais de Inclusão dos países participantes do encontro, a saber: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, México, Paraguai e Peru.

A natureza das redes em cada país, segundo constatou a representante do Brasil, Andréa Regina, “é bem diversa: umas independentes, outras associadas a fundações voltadas aos cuidados da pessoa com deficiência, outras ainda se formalizando, e algumas fomentadas pelo investimento social de uma única empresa”. Ligadas à Organização Internacional do Trabalho (OIT, órgão da ONU) as REIS (na sigla brasileira) enfrentam dificuldades semelantes para manter a perenidade e a continuidade de suas ações.

O segundo dia do encontro proporcionou debates e reflexões a partir de perguntas lançadas por representantes da OIT. “Os desafios são similares em todas as Redes”, avalia Andréa. Mas o Brasil é o país com o maior número de empresas participantes. “Somos tidos como exemplo  global de mobilização empresarial  e continuidade, graças aos frequentes encontros, tanto do Grupo Diretor quanto dos encontros maiores com os demais membros”, afirma a representante. Para Andrés (OIT-Lima) “a articulação brasileira é um exemplo de operação em rede bem sucedida pelo nível de engajamento e comprometimento de seus membros”.

Nas Redes dos demais países, os encontros acontecem uma ou duas vezes ao ano. A representante da Colômbia,  contou que a Rede daquele país “teve um grande desafio para sensibilizar sobre o tema da inclusão nas empresas, já que os advogados e os sindicatos (los grêmios) são contra a inclusão de pessoas com deficiência, pois acreditam que  ‘estas pessoas com vão tomar o emprego de quem não tem deficiência’”.

O Brasil é a única dentre as Redes presentes na reunião, cuja existência ainda não formalizada. Por não ter recursos financeiros, o investimento em ‘produtos’ fica mais discreto quando comparado às demais Redes.

Encerramento e balanço

No encerramento do encontro, o diretor Regional Adjunto da OIT para América Latina e Caribe,  Carlos Rodriguez, afirmou que “15% da população mundial tem algum tipo de deficiência e as maiores barreiras que enfrentam são as atitudes negativas, as leis e políticas insuficientes, e os medos do ‘prejuízo’ por parte das empresas”. Ainda assim, Rodriguez destacou que as pessoas com deficiência “têm menos acidentes de trabalho e são tão produtivas quanto as demais”.

Metas traçadas a partir do encontro:

A partir dos depoimentos dos participantes, algumas metas foram traçadas para serem desenvolvidas em conjunto pelas Rede Empresariais da América Latina, através da OIT. Entre elas, destacam-se:

  • Definir uma oferta de valor forte para convencer as empresas a participarem de uma rede mundial que tenha um papel importante  na influência de  políticas públicas.
  • A OTI assumirá a liderança desta “rede mundial’
  • Todos os materiais produzidos são públicos e não devem ser disponibilizados apenas aos membros da REDE
  • A participação da alta liderança (CEO) é importante mas não se deve esperar que eles participem e sim os que estão à frente desta temática.
  • Assessorar as empresas nas diferentes regiões, respeitando as particularidades de cada país (usar terminologias corretas, conhecer barreiras locais).
  • Debater sobre o futuro do trabalho e como inserir as pessoas com deficiência.
  • A OIT irá adotar, para essa Rede, a língua espanhola.
  • A OIT está fazendo uma comunicação com base em testemunhos – storytelling
  • Será realizada uma nova reunião da Rede Mundial no próximo ano.
  • Criar um site – plataforma digital – para incluir materiais e atualizações das realizações das Redes.

História da Rede Empresarial de Inclusão Social (REIS) no Brasil

Em 02 maio de 2012, no 26º Fórum de Empregabilidade Serasa Experian e com a participação de mais de 60 empresas e da Organização Mundial do Trabalho (OIT), foi lançada a  criação de uma rede nacional de empregadores de pessoas com deficiência.

Como as políticas e práticas de Inclusão Social e de Diversidade são importantes pontos de atenção para os participantes do Fórum, como também parte integrante do dia a dia das empresas e das cidades brasileiras, algumas das empresas participantes deste Fórum se voluntariaram a integrar a inciativa de criação da Rede.

Sendo assim as 12 empresas – Abril, Accenture, Ernst & Young Terco, Gtcon, IBM Brasil, Magazine Luiza, Natura, Oi, Raia Drogasil, Serasa Experian, Tozzini Freire Advogados e Via Varejo se engajaram nesse objetivo, que culminou na fundação de  Rede Empresarial de Inclusão Social,  formando assim o grupo inicial de empresas que são o Grupo Diretor da Rede Empresarial,   que está  chancelada e reconhecida pela Organização Mundial do Trabalho (OIT).

 

Por Stela Masson, 08-09-2017

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