Reunião da Câmara Paulista debate representatividade e identificação da Pessoa com Deficiência

foto ilustrativa da reunião da Câmara Paulista mostra o auditório cheio de pessoas que ouvem uma das palestrantes, Sandra. Ela está sentada em sua cadeira de rodas, em frente ao público e tem ao seu lado esquerdo o intérprete de Libras. Ao fundo, detalhe do palco onde aparece uma mesa de trabalho e um telão

Publicado em: 02/07/2019


Reunidas no auditório da Superintendência Regional do Trabalho em São Paulo, aproximadamente uma centena de simpatizantes da causa da inclusão da Pessoa com Deficiência, se inspiraram nas experiências partilhadas no dia 27 de junho, durante reunião da Câmara Paulista para Inclusão da Pessoa com Deficiência no Mercado de Trabalho Formal. As palestrantes, Sandra Ramalhoso e Cristina Masiero, falaram sobre a organização das Pessoas com Deficiência e a aplicação prática da CIF – Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde.

Na abertura, o coordenador da Câmara Paulista, José Carlos do Carmo (Kal), resumiu as mudanças que estão ocorrendo desde que o SRT está subordinado ao Ministério da Economia e anunciando a transferência das instalações atuais para a Avenida Prestes Maia, na região da Luz, em São Paulo.  Enfatizou que o momento é de buscar o fortalecimento do trabalho dos auditores fiscais e aproveitou para convidar para o “panfletaço” a ser realizado na região da Rua 24 de maio, nos dias 22 e 23 de julho, que irá divulgar a festa de 28º. Aniversário da Lei de Cotas, que acontecerá no dia 24, na Praça das Artes.

Histórico de luta das Pessoas com Deficiência no Brasil

Ao refletir sobre a “História da Organização das Pessoas com Deficiência: impactos das Reformas Trabalhista e Previdenciária  sobre os direitos das Pessoas com Deficiência”, a produtora de conteúdo do portal Vozes Femininas e militante da causa da inclusão, Sandra Ramalhoso, contou o protagonismo da Pessoa com Deficiência   é recente, porém crescente.

“As Pessoas com Deficiência eram expulsas da cidade ou segregadas nas próprias casas”, contou Sandra. A partir da 1950, algumas famílias esboçaram uma reação, fundando entidades como a Associação Pestalozzi, no Rio de Janeiro e Apae, em São Paulo, que iniciaram uma mudança de paradigma.  O surto da Poliomielite, que atingiu o Brasil no final da década de 1960 agravou a situação com o aumento da população com deficiência.

“Não éramos pessoas com direitos, e tivemos de lutar por eles”, testemunhou Sandra, que usa cadeira de rodas, afirmando: eu não sabia que era uma heroína! Relatou a saga pessoal para enfrentar as salas de aula, mas também o apoio que recebeu dos professores e colegas de então. “Aos seis anos eu não andava, mas aprendi a ensinar”.

Defensora da inclusão escolar em escolas regulares, que tem de estar preparadas e aparelhadas para receber todos os alunos, alertou que “o meio tem de se adaptar às Pessoas com Deficiência, e não o contrário”. Ao discorrer sobre a inclusão legal, que no decorrer das décadas garantiu os direitos das Pessoas com Deficiência, da importância da participação nos conselhos representativos, Sandra acredita que o momento é de somar forças pela inclusão, numa bandeira única de luta, que unifique a pauta pela manutenção e expansão dos direitos da Pessoa com Deficiência.

AACD inova ao inserir a CIF nos planos terapêuticos individuais

Discorrendo sobre aAplicação da CIF – Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde e a aplicação prática na reabilitação da AACD”, a psicóloga Cristina Masiero mostrou que a ferramenta já utilizada, com sucesso, pela instituição, apesar de os protocolos internos ainda estarem em construção.

Os planos terapêuticos individuais da AACD incluem a CIF desde a abordagem inicial do paciente e são utilizados para mensurar índices de qualidade, cruzar dados e até mesmo nortear a reivindicação de Ações e Políticas Públicas. A prática foi iniciada aos a reformulação dos conceitos e procedimentos internos, em 2018.

“A CIF é usada hoje na AACD para diferentes frentes, da coleta de dados à criação de indicadores da evolução do paciente, incluindo avaliação, qualificação, metas e alta”, contou a psicóloga, explicando que a CIF é utilizada inclusive nas relações familiares, aspectos cognitivos e relações com o trabalho. Cristina ponderou, entretanto, que as abordagens estão em construção. “Foi um caminho escolhido, uma decisão clínica”.

Texto: Adriana do Amaral

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