Tecnologias assistivas garantem acessibilidade de cegos às redes sociais

Descrição de Imagem: Viviane aparece à beira mar, de óculos escuros e cabelos castanhos, ao fundo se vê pequenos barcos no mar. Texto: Viviane Garcia, cega há 20 anos e usuária de smartphone diz: Nas redes sociais, se eu não contar que perdi a visão, ninguém percebe.

Publicado em: 03/10/2016


Indispensáveis nas tarefas de facilitar a vida de todos, os smartphones e os tablets são fundamentais quando seus usuários são cegos ou deficientes visuais. Através de dispositivos como leitores de tela, que descrevem por voz tudo o que aparece no visor do computador, do tablete e smartphone, os aplicativos possibilitam a interação social desses usuários.  “Eu me entreguei ao iPhone e foi a melhor coisa que fiz”, conta Viviane Garcia, 37 anos, que ficou cega aos 18 e trabalha como assistente administrativa na Federação dos Comerciários – Fecomerciários.

Viviane teve visão normal até os 7 anos, quando sofreu uma infecção chamada síndrome de Stevens-Johnson (SSJ),  que deixou como sequela a oclusão da válvula lacrimal. Essa condição comprometeu severamente a visão até que, aos 18 anos ela se tornou cega. Aprendeu a ler e escrever em braile, mas prefere utilizar outras técnicas. “Acho um método maravilhoso, mas não me adaptei”, explica.

Formada em Letras e pós-graduada em Comunicação e Marketing, Viviane Garcia teve seu primeiro celular adaptado em 2008, com o sistema Talks. Mas foi há dois anos e meio, ao migrar para o smartphone, que ela se sentiu plenamente adaptada com o Voice Over, um recurso de acessibilidade para a deficiência visual que basta ser ativado no iPhone.

“Ele lê 90% do WhatsApp, Facebook, aplicativo de banco, Netflix, OLX, dicionários etc. Vou varrendo a tela, ouvindo os símbolos e navegando. Tudo o que passa por ali, ele fala”.

Mas o começo foi difícil. “Quando peguei o smartphone pela primeira vez achei que tinha jogado dinheiro fora. Parecia impossível entender. Fui mexendo um pouco a cada dia e depois de duas semanas já não conseguia viver sem ele. Hoje navego pelas redes sociais e, se eu não contar que sou cega, ninguém fica sabendo”, relata.

No computador, a opção de Viviane Garcia é pelo sistema JAWS (acrônimo para Job Access With Speech ou trabalhos acessados por fala, em tradução livre). Outro aplicativo de fácil utilização, porém com poucos recursos, é o NVDA. Gratuito, é facilmente baixado através do site Baixaki, e fala o texto selecionado pelo usuário.

Viviane Garcia mora na zona Leste da capital paulista e trabalha na zona Oeste. Usa metrô todos os dias e quando a estação e os trens estão lotados ela é literalmente “carregada”. Mas não se amedronta. Aliás, seu trabalho na Fecomerciários é justamente sensibilizar o comércio a contratar pessoas com deficiência. “Fazemos eventos por todo o Estado a fim de conscientizar especialmente os pequenos negócios e os comerciantes das cidades do interior de que cumprir a Lei de Cotas não deve ser uma obrigação e sim a prática de um direito universal de todo cidadão: o acesso ao trabalho”.

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