Veja trajetória da única brasileira reconhecida entre lideranças mundiais que atuam pelos direitos das mulheres com deficiência
Publicado em: 11/06/2026

Em plena atividade profissional e acadêmica, e com planos consistentes para o futuro, Mila Guedes é a única brasileira a receber reconhecimento internacional MIUSA Global Fellowship. Como premiação, o grupo receberá formação avançada nos EUA, para dar continuidade ao fortalecimento dos direitos de mulheres com deficiência.

Tradução livre do depoimento acima “Em apenas alguns anos, o curso de liderança e empoderamento que coordeno para mulheres e meninas com deficiência, inspirado nos princípios de treinamento WILD da MIUSA, alcançou milhares de mulheres em todo o país. São vozes empoderadas, mulheres com deficiência que estão se organizando e sendo convidadas a participar de espaços de tomada de decisão. Isso confirma o que aprendi com o WILD: quando as mulheres com deficiência recebem ferramentas, redes de contatos, oportunidades e confiança, elas não apenas crescem. Elas ajudam a transformar o mundo ao seu redor, tornando-o um lugar melhor.”
Na mensagem do anúncio dos escolhidos, a CEO da instituição global MIUSA (Mobility International USA), Susan Sygall, escreveu (em tradução livre):
“Não há melhor maneira de celebrar o 45º aniversário da MIUSA do que anunciar os Bolsistas Globais da MIUSA de 2026! Minhas experiências como bolsista Kellogg, Ashoka e MacArthur me proporcionaram oportunidades inestimáveis para perseguir minha paixão pelos direitos das pessoas com deficiência e causar impacto no mundo. Portanto, é com grande honra que lanço o Programa de Bolsas Globais da MIUSA, reconhecendo 24 ativistas de 22 países, todos ex-alunos da MIUSA. Suas trajetórias como líderes transformaram a vida de milhares de pessoas com deficiência. Por meio deste programa, suas mensagens serão amplificadas e seu trabalho ampliado para um impacto ainda maior. Precisamos da expertise, das inovações, das perspectivas e das contribuições desses Bolsistas Globais para encontrar soluções para os complexos problemas da atualidade. A MIUSA sempre construiu interseções entre os direitos das pessoas com deficiência e a justiça, o desenvolvimento internacional, a assistência humanitária, a liderança feminina e outros espaços cruciais. Este programa criará novas oportunidades que levarão a um mundo mais justo, pacífico e equitativo. É uma grande honra e um privilégio trabalhar com todos esses ativistas incríveis. Estamos ansiosos para que vocês saibam mais sobre eles e seu trabalho nesta edição do Global Impact.”
O Programa reconhece 24 ex-alunos do MIUSA de 22 países ao redor do mundo que demonstraram liderança, realizações e inovação excepcionais. Esses líderes inspiradores estão impulsionando mudanças em suas comunidades, seus países e no mundo, por meio de suas abordagens inovadoras para desafios complexos.
Os bolsistas de 2026 são:
Angela Giovana Marin Rivera, Peru
Anjana KC, Nepal
Asia Abdel Mutaleb Yaghi, Jordan
Atim Caroline, South Sudan
Dulamsuren Jigjid, Mongolia
Gina Rose Balanlay, Philippines
Ekaete Judith Umoh, Nigeria
Hanan Aly, Egypt
Hebel Okelo Ouma, Kenya
Hellen Anurika Beyioku-Alase, Nigeria
Jenny Chinchilla, El Salvador
Karine Grigoryan, Armenia
Lanieta Tuimabu, Fiji
Luu Thi Anh Loan, Vietnam
Manique Gunaratne, Sri Lanka
Martha Z. Belayneh, Ethiopia
Mause-Darline François, Haiti
Mila Guedes, Brazil
Miyeon Kim, South Korea
Ramatu Princess Kanu, Sierra Leone
Rasanjali Pathirage, Sri Lanka
Santiago Velázquez Duarte, Mexico
Scader Louis, Malawi
Muhammad Shafiq ur Rehman, Pakistan
Trajetória internacional de Mila Guedes em defesa dos direitos das mulheres com deficiência
Em 2015, foi para Chicago fazer treinamento no Access Living (ONG de Vida Independente estágio 6 meses) onde se aproximou do trabalho com mulheres com deficiência, onde soube do programa Wild com a principal referência global na prática.
Em 2016, gravou o TED Espaços Deficientes.
2017, estágio de 2 meses no Rehabilitation International no escritório geral em New York.
Pela Reahabilitation Internacional realizou, em 2018 a 2021, apresentações sobre a situação da mulher com deficiência no Brasil, acessibilidade e empregabilidade, em países como China, Alemanha, Itália, Russia, Dinamarca e EUA.
Em 2019, coordenou o programa Vozes Femininas, na Unibes Cultural, Rehabilitation Internacional foi a instituição financiadora, constituiu em 7 encontros presenciais para formação de mulheres, média de 60 mulheres, contéudo sobre direitos, autoestima, violência, trabalho.
2020 e 2021 trabalho financiado pela MIUSA (Mobility International USA) sobre prevenção a violência contra mulheres com deficiência durante a pandemia, projeto CALIANDRA (flor do Pantanal muito resiliente), com mulheres com deficiência. Encontros online periódicos, uma série de vídeos e folders Aconteceu simultaneamente em 6 países, com o mesmo escopo e adaptações regionais.
Em 2021, passou a integrar o coletivo Frente Nacional de Mulheres com Deficiência, do qual continua fazendo parte. Aderiu também ao grupo IGEC (Inclusive Generation Equality Collective), ligado ao Women Enabled International que reúne mulheres com deficiência de todo o mundo.
Em 2022, recebe treinamentos de 1 mês em Eugene, Oregon, EUA (para ser elegível ao programa com todas as despesas precisa falar Inglês, ser uma mulher com deficiência, trabalhar empoderamento de pessoas com deficiência), pelo programa Wild Instituto de Liderança para mulheres com deficiência – treina mulheres com deficiência que já tem perfil de liderança em seu pais para ficar mais capacitadas para desenvolver programas de lideranças de mulheres em seus países – sempre mulheres. Aplica no Brasil a metodologia e recebe um apoio financeiro para aplicar programa similar no seu país.
No final de 2022, ganhou concorrência em edital em iniciativa da Secretaria de Estado do Direito das Pessoas com Deficiência, por meio do programa Todas in-Rede em parceria com a ONG AME. O conteúdo programático foi baseado no mesmo programa Wild. Desde então, coordena o Curso de Liderança e Empoderamento Feminino para Mulheres com Deficiência, que continua com turmas de mulheres em 2026. No total, já formou cerca de 3 mil mulheres até 2025.
Desde 2022, quando fez o programa Wild, participa de reuniões periódicas com a MIUSA, e o acompanhamento da sua evolução e aplicação dos aprendizados nos programas no Brasil, levou a instituição a reconhecê-la como uma das MIUSA Global Fellow com o reconhecimento recebido em 2026. A premiação será em forma de uma nova formação avançada e um laboratório de liderança global que será realizado em outubro deste ano, presencial em Eugene, Oregon EUA, junto com as demais 24 pessoas de vários países, que receberam o mesmo reconhecimento.