“Chefs Especiais” foca em inclusão de jovens com Down através da gastronomia

Descrição da imagem: Atrás de uma grande bancada de cozinha, estão apoiados sobre o mármore preto, dezenas de jovens que participam do programa Chefs Especiais. Todos vestem camiseta branca. Há rapazes e moças. Ao fundo alguns chefs renomados da culinária e também os idealizadores do Instituto, Simone e Márcio Berti
Jovens alunos do Chefes Especiais, junto aos Chefs profissionais Carlos Bertolazzi, Henrique Fogaça e Guga Rocha, além de Simone e Márcio Berti, idealizadores do Instituto

Publicado em: 24/06/2017


Autonomia, respeito, auxilio mútuo, o dividir, o despertar do mundo gastronômico para essa turma que veem os ingredientes se transformarem em pratos lindos, que eles mesmos degustam.

Simone e Márcio Berti fundaram, em 2006, o Instituto Chefs Especiais, no qual promovem a inclusão social de pessoas com Síndrome de Down por meio da gastronomia mostrando que, desde que estimuladas e respeitadas, elas podem e devem se tornar independentes para serem inseridas no meio social, seja no lazer ou no trabalho, respeitando suas limitações, mas estimulando o seu melhor.

“Eu e meu marido queríamos retribuir à sociedade a vida bacana que tínhamos. Começamos a pesquisar que tipo de público poderíamos ajudar. Pessoas idosas e crianças têm projetos dedicados a elas, mas pessoas com deficiência estão sempre à margem da sociedade”, conta Simone. “A  gastronomia é um elemento transformador, pois dá autonomia. Nós, do Chefs Especiais, incluímos essas pessoas não só na sociedade, mas na vida” afirma, justificando a escolha pela culinária.

Até 2012, o instituto sobreviveu por meio da mobilização social, sem receber qualquer tipo de contribuição externa. Com o tempo, o trabalho do casal chamou a atenção de chefs de renome – como Fogaça Guga Rocha e Claude Troisgros –, que acabaram aderindo ao programa. Além deles, celebridades como Toni Ramos e Alexandre Nero também demonstraram interesse pelo projeto.

Para iniciar no Chefs Especiais, os portadores recebem todo o cuidado e preparo necessário. “Temos uma oficina chamada Down Cooking, onde eles não mexem com fogo ou materiais cortantes, que dura em média três horas. Na oficina, não selecionamos o tipo de comprometimento que eles têm, mas verificamos quem tem aptidão por culinária. Depois de identificarmos, eles passam por um processo seletivo para entendermos se têm autogestão, querem realmente aprender e se os pais têm condição de levar nas aulas. Feita a triagem, eles vão para as aulas de capacitação, onde já podem mexer com material cortante” explica.

No instituto, quem não gosta de cozinhar também não é deixado de lado. “Quem não tem aptidão pode continuar nas oficinas Down Cooking, onde fazemos um rodízio, porque são muitos alunos. Temos também um curso para garçons, aulas de violão, zumba, que eles adoram, e computação. Para o ano que vem, pretendemos fazer alguns trabalhos inovadores para a moçada”, diz.

Simone costuma ficar sensibilizada com as histórias das pessoas que frequentam o Chefs Especiais, mas uma delas tem um lugar especial em suas recordações. “A história que mais me tocou foi a da Natália, que também tinha leucemia. Quando ela veio para os Chefs Especiais, fazia quimioterapia e o seu corpo não reagia ao tratamento. Estava praticamente desenganada pelos médicos. Depois de um tempo, a médica chamou a mãe e perguntou o que estavam fazendo de diferente com a paciente dela e a mãe falou sobre as nossas aulas. A médica, naquela ocasião, disse para que a mãe continuasse levando ela ao instituto, pois a autoestima da menina estava melhorando a cada dia e o corpo estava reagindo” lembra, emocionada.

Atualmente, o instituto atende mais de 300 pessoas por ano. Apesar disso, ainda é necessário encontrar parceiros para ampliar e continuar levando a gastronomia àqueles que precisam. “Hoje temos parceiros incríveis, mas ainda não é o suficiente para fazermos tudo o que é necessário. Queremos oferecer novas capacitações para que nossos alunos possam ser empregados”, relata Simone.

Pioneiro e inovador, o Instituto se tornou conhecido e respeitado no mundo da gastronomia e conquistou o mesmo respeito no mundo da inclusão social. Com sede em São Paulo (SP), atualmente os projetos foram ampliados, com aulas que extrapolam o nicho gastronômico, como dança, canto e teatro. A expectativa do Instituto é dar oportunidade a cada vez mais pessoas, capacitá-las de forma adequada a cada momento de vida e estender o trabalho para as principais Capitais do Brasil.

Fontes: http://prafrentesempre.ig.com.br/programas/2016-12-29/gastronomia-http://g1.globo.com/fantastico/quadros/qual-e-a-diferenca/especial-publicitario/friboi/noticia/2015/08/chefs-especiais-foca-em-inclusao-de-jovens-com-sindrome-de-down-por-meio-da-gastronomia.html

Por Stela Masson, 8/06/2017

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