“Homeschooling” aprofunda o fosso da Educação Inclusiva para crianças e adolescentes com deficiência

Foto: Flávio Santana Raquel Paoliello é jornalista e escreve para os canais da Câmara Paulista de Inclusão e outros veículos.

Publicado em: 31/05/2022


Por: Raquel Paoliello 

Os alunos com deficiência têm muita dificuldade em conseguir estudo, pois as escolas na maioria das vezes não tem recursos para que eles estudem da forma correta; o aluno precisa de apoio na aula e o professor ou o colégio, na maioria das vezes não sabem como lidar e acabam muitas vezes gerando preconceito, que acaba culminando em baixa autoestima e desinteresse pelos estudos.

As escolas especiais surgiram devido a essa situação de não haver inclusão no ensino regular. Isso está errado, pois as pessoas com deficiência também têm o direito de estudar e serem inseridas na Educação; mas como isso acaba não ocorrendo, o ensino especial acabou sendo a única alternativa para alunos com deficiência.

Porém, muitas escolas especiais também têm dificuldades de lidar com os alunos ou até não sabem identificar o que precisam para desenvolver o aprendizado, então alunos e suas famílias acabam sofrendo grande discriminação por parte do colégio ou até mesmo da direção do mesmo.

Numa rápida pesquisa encontramos mais de 10 escolas especializadas nesse tema, porém elas são poucas e pouco conhecidas. O tema é complexo e, em todos os movimentos que incentivam a inclusão verdadeira, que promova a independência e autonomia das pessoas com deficiência, o caminho buscado tem sido o de promover educação inclusiva nas escolas regulares, somando os saberes das instituições e profissionais especializados para apoiarem professores e alunos. Na realidade, as famílias continuam enfrentando muitas dificuldades, sem saber o que fazer com a educação de seu filho com deficiência. 

Esse foi um dos argumentos usados para que a proposta de “homeschooling“ fosse aprovada pela Câmara de Deputados, no último dia 19 de maio, para que as famílias ensinem os filhos em casa, sejam eles com deficiência ou não. 

Porém, isso está errado. É como diz o antigo ditado “vai jogar fora a água da banheira e joga o bebê também”, pois, para se resolver uma situação complexa, a solução proposta vai gerar muitos outros problemas que precisarão ser resolvidos depois. Repassar a responsabilidade da Educação para as famílias vai contra o posicionamento de inúmeras instituições e estudos que defendem o espaço escolar como o local adequado para o desenvolvimento de habilidades sociais, além da troca que promove o aprendizado. Quando isso está focado nas pessoas com deficiência, é pior ainda, porque cada caso é um caso e cada aluno precisa de um apoio diferente na escola.

Segundo a proposta (que ainda será analisada no Senado Federal e, caso aprovada, será sancionada pela Presidência da República), as crianças cujos familiares optarem por fazer parte do ”homeschooling”, terão que, obrigatoriamente, estar matriculadas num colégio e os pais terão que apresentar um relatório semestral, ou trimestral no caso da criança com deficiência e, através desse relatório será feito o acompanhamento do projeto (a forma de acompanhamento não está definida, nem o preparo das famílias para a educação). As crianças terão que fazer, periodicamente, avaliações semestrais ou trimestrais, no caso de uma criança que possua deficiência. 

O “homeschooling“ é diferente do ensino a distância, ou ensino remoto, que foi adotado durante a pandemia Covid19. No “homeschooling”, a família é completamente responsável pelas aulas, o que não ocorre nos outros tipos de ensino. Essa ideia defende que as crianças não estudem conteúdos que os pais discordam, ou seja, com o “homeschooling” os alunos não estudam todos os tipos de conteúdo. No Brasil, divulga-se que 7.500 famílias querem adotar o “homeschooling”, englobando no mínimo 15 mil crianças e adolescentes. 

Um outro ponto negativo é que o “homeschooling” pode esconder sinais de abuso e violência doméstica, porque os professores geralmente são os primeiros a perceber quando isso está acontecendo. Segundo a ONG Todos pela Educação, a proposta  “passa longe do que precisa ser feito para melhorar a educação”. Especialistas afirmam que o momento deveria ser em concentrar esforços em tentar recuperar a perda de ensino ocorrida durante a pandemia, para evitar uma evasão ainda maior. 

Segundo a ONG Todos pela Educação, o “homeschooling” é um projeto que precisa ser bem pensado, pois segundo especialistas, os alunos precisam do ambiente escolar e dos professores.

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