Emprego Apoiado cria pontes e promove autonomia

Descrição de Imagem: Várias mãos dadas que formam um circulo, uma das mãos do círculo é uma prótese de membro superior. Ao centro está escrito Emprego Apoiado.

Publicado em: 31/10/2016


Para melhor adaptação a postos de trabalho e realização de tarefas, pessoas com alguns tipos de deficiência, geralmente intelectual e deficiências físicas severas, requerem o acompanhamento de profissionais especializados em contribuir com a sua inclusão nas empresas que os contratam. Este acompanhamento especial é denominado Emprego Apoiado.

O Emprego Apoiado começou nos EUA no final dos anos 80, através de projetos pilotos de universidades que buscavam alternativas para a inclusão no mercado de trabalho de pessoas com deficiência intelectual severa – que nunca eram consideradas aptas a sair das oficinas de preparação. Para mudar essa situação, os programas de Emprego Apoiado propuseram o treinamento no local de trabalho com a disponibilização de apoios de técnicos ou consultores (preparadores laborais).

O método de Emprego Apoiado valoriza a determinação das pessoas em situação de incapacidade na condução dos seus projetos de vida e é composto de três fases:

  • Perfil Vocacional: descoberta dos pontos fortes, interesses e necessidades de apoio da pessoa;
  • Desenvolvimento de Emprego: pesquisa com empresas para descobrir um emprego que combine com o perfil vocacional, e
  • Acompanhamento pós-colocação: acompanha-se o treinamento e a inclusão social do usuário do Emprego Apoiado na empresa para verificar se as estratégias e os apoios naturais estão funcionando.

O profissional responsável por acompanhar o usuário nessas três fases é o consultor em Emprego Apoiado. No início, ele era denominado preparador laboral, pois era o único responsável pelo treinamento do profissional com deficiência, e ia se afastando gradualmente, na medida em que a empresa assumisse o controle do processo.

Ser um bom mediador, saber trabalhar com a comunidade, dominar técnicas de treinamento para pessoas em situação de incapacidade intelectual mais significativa, além de ter conhecimentos sobre o mercado de trabalho e o funcionamento das empresas, são os atributos de um consultor.

Não existe consenso sobre qual formação ele deve ter, podendo ser ensino médio ou curso superior (psicologia, terapia ocupacional, administração, pedagogia, sociologia etc.).

As principais etapas do programa Emprego Apoiado na empresa, são:

  • Desenvolver trabalho de sensibilização nas empresas;
  • Identificar o perfil vocacional do candidato;
  • Fazer o levantamento do perfil da vaga e suas atribuições;
  • Oferecer treinamento à pessoa com deficiência em seu local de trabalho;
  • Prestar suporte aos funcionários da empresa para facilitar o trabalho em equipe;
  • Dar orientação à família para que ela auxilie no processo de inclusão.

Assim, o Emprego Apoiado cria pontes entre a empresa, a pessoa com deficiência e a família. E mais, ao incluir pessoas com deficiência no quadro de funcionários, a empresa tem muito a ganhar, pois a visão inclusiva transforma a sua imagem perante a sociedade.

Outra forma de acompanhamento para autonomia é a praticada pela dupla formada pela assistente social Juliana Righini e pela psicóloga Cátia Macedo, que desenvolvem em São Paulo um trabalho de apoio a adolescentes e adultos com deficiência intelectual. “Nosso propósito é colaborar. É valorizar as atitudes que eles já têm, a fim de que consigam dar um novo passo a partir dali”, informa Juliana.

Para tanto, a dupla atende grupos de mulheres e mistos, formados por pessoas com Síndrome de Down, deficiência intelectual – com e sem diagnóstico, e Síndrome de Asperger.

No grupo de mulheres, o recorte se dá nas questões relacionadas à sexualidade, cuidados com o corpo e violência sexual. No grupo misto são discutidos aspectos da vida adulta, como trabalho, convivência com amigos, namoro e família.

Mas o atendimento vai além: elas levam seus grupos  a protagonizarem experiências como ir ao shopping “para comprar um presente para uma pessoa especial”, ou ser “anfitrião” dos amigos num happy hour – e até num final de semana na casa de praia da família. “Eles deixam de ser coadjuvantes para se tornarem protagonistas dos fatos da vida adulta, ganhando autonomia e independência. É um ganho muito grande”, relata a psicóloga Cátia Macedo.

 

 

Fontes: http://www.abads.org.br; http://www.aneabrasil.org.br

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