Empresário com síndrome de Down criou um negócio milionário

Descrição da imagem: John, de 23 anos, está numa mesa, sorrindo e segurando alguns pacotes de meia. Ele usa camiseta verde escura, tem a pele clara, cabelos castanhos e sorri.
John Cronin na "John's Crazy Socks" ("As meias malucas do John", em tradução literal). Em um ano no mercado, já conseguiram lucrar US$ 1,4 milhão e arrecadaram US$ 30 mil para caridade

Publicado em: 19/01/2018


Ao completar 21 anos, em 2016, o norte americano John Cronin confessou ao pai, Mark, que gostaria de ter um negócio quando terminasse o ensino médio, mas ainda não tinha ideia do ramo em que poderia atuar. “Minha primeira sugestão foi uma loja que vendesse algo divertido, mas não sabíamos direito o que vender”, diz John, que vive em Long Island, em Nova York.

Logo eles tiveram uma ideia. “John sempre usou, a vida toda, meias coloridas, meio doidas. Era algo que ele realmente gostava, e aí sugeriu que a gente vendesse meias”, conta o pai. “Meias são divertidas, são criativas e coloridas. E elas me deixam ser eu mesmo”, afirmou John, que tem síndrome de Down. Foi assim que surgiu a “John’s Crazy Socks” (“As meias malucas do John”, em tradução literal). Em um ano no mercado, eles contam que já conseguiram lucrar US$ 1,4 milhão e arrecadaram US$ 30 mil para caridade. O negócio ficou tão famoso que chegou a vender meias para o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e o ex-presidente americano George W. Bush.

Bilhetes aos clientes

A loja online tem cerca de 1,4 mil tipos diferentes de meias, com todos os desenhos que se possa imaginar – de gatos e cachorros a até caricaturas do presidente dos EUA, Donald Trump. Cada pedido é enviado no mesmo dia com um pacote de doces e um bilhete de agradecimento escrito a mão. E se o endereço for perto, John vai entregar as meias pessoalmente. Como é “a cara” do negócio, John também frequenta eventos, fala com clientes e fornecedores e cria campanhas como a “Meia do Mês”. Já Mark lida com os aspectos mais técnicos envolvidos em uma empresa.

“John é realmente uma inspiração”, elogia o pai, que reforça que não há qualquer tratamento “especial” ao filho no trabalho. “Ele trabalha muito nessa empresa. Nós chegamos no escritório antes de 9h e saímos, na maioria das vezes, depois de 20h”, conta. Em pouco mais de um ano, eles já enviaram 30 mil pedidos. Pai e filho também doam 5% dos lucros da empresa para a instituição “Special Olympics”, que organiza eventos esportivos para pessoas com deficiência – John compete no basquete, no futebol e no hóquei. Além disso, eles criaram “meias de conscientização” para arrecadar dinheiro para instituições de caridade como a Associação Nacional da Síndrome de Down e a Sociedade de Autismo da América.

Para Mark, a empresa que ele criou com o filho tem duas missões: uma social e outra de negócio. E as duas são indivisíveis. “Não acho que seja suficiente apenas vender um serviço ou um produto. Valores precisam fazer parte, e nós temos um modelo que está mostrando isso”, afirma.

“O que nós fazemos é espalhar felicidade”, acrescenta John. A empresa quer trazer mais pessoas com deficiência para o negócio – por enquanto, perto de um terço da equipe que trabalha lá tem alguma deficiência. “Nós estamos trabalhando para mostrar o que as pessoas com deficiência ou com dificuldade de aprendizagem podem fazer”, diz Mark. “Quando converso com empresários, sempre digo a eles que é urgente que eles contratem pessoas com deficiência. Não só porque isso seria a coisa certa a fazer, mas porque eles são bons, porque todo mundo gostaria de trabalhar com bons profissionais e é isso que eles são. É uma quantidade enorme de gente que ainda não é aproveitada no mercado”, observa.

 

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Stela Masson, 17-01-2018

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