Enciclopédia médica com verbetes em Libras facilita a comunicação com pacientes surdos

Fotografia mostra um livro de capa vermelha com faixa horizontal em bege. No detalhe, o título: Enciclopédia da Língua de Sinais Brasileira e o subtítulo. No alto, o nome dos autores e embaixo Volume 5, Medicina e Saúde e a logomarca Edusp editora

Uma consulta médica de rotina pode ser uma experiência desafiadora para profissionais da área da saúde, pacientes, familiares e acompanhantes surdos. Apesar dos avanços garantidos pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, na prática as dificuldades se apresentam, sobretudo na compreensão e comunicação da Língua Brasileira de Sinais – Libras.

Todo hospital ou centro de atenção à saúde deveria ter um intérprete de Libras, sejam eles públicos ou privados, mas a realidade é outra. Consequentemente, a compreensão entre médicos, equipes multidisciplinares, enfermagem e até mesmo de suporte administrativo fica comprometida.

Para ajudar a preencher esta lacuna, a Enciclopédia da Língua de Sinais Brasileira pretende ser uma referência na assistência ao paciente surdo. O objetivo, de acordo com os editores, é “contribuir para abrir o mundo da medicina e da saúde aos surdos, permitindo-lhes comunicar melhor suas queixas, especificar seus sintomas e fornecer as informações necessárias a um atendimento adequado às suas características e necessidades”.

A quinta edição da Enciclopédia, lançada recentemente pela Edusp (Editora da Universidade de São Paulo), é dedicada à área da Medicina. O livro lista 1540 sinais (Libras) ao longo de 624 páginas. O conteúdo é direcionado para facilitar a comunicação entre profissionais da saúde e a comunidade surda brasileira e vice-versa.

Nos verbetes, além da explicação técnica, são mostradas ilustrações de como ele seria traduzido para a Língua Brasileira de Sinais e desenhos referentes ao termo descrito com ilustrações simulando o diálogo em Libras. O conteúdo está organizado em categorias: atendimento médico-hospitalar, corpo humano, doenças e problemas de saúde, exames, medicamentos, médicos e profissionais de saúde, tratamento entre outras

Os autores, os psicólogos e pesquisadores Fernando César Capovilla e Walquíria Duarte Raphael também respondem pelo Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilingue da Língua de Sinais Brasileiras, de 2001. Eles organizaram uma obra de referência para consulta diária que além de ser um guia para o atendimento pessoal, soma à formação acadêmica dos profissionais (médicos, equipes multidisciplinares e de enfermagem, paramédicos dentre outros).

Enciclopédia abrange temas variados:

Por enquanto, já foram disponibilizados cinco volumes e em fevereiro serão lançados mais dois livros tópicos. Todos organizados pelos mesmos autores, e editados pela Edusp. São Eles:

volume 1, com verbetes sobre Educação (publicado em 2004 e com várias reedições, a última em 2016);

volume 2, com verbetes sobre Artes, Cultura e Esportes (reedição prevista para fevereiro deste ano);

volume 3, com verbetes sobre Família, Relações Familiares e Casa (publicado em 2005)

volume 4, sobre Comunicação, Religião e Eventos (publicada em 2009)

volume 8, sobre Palavras de Função Gramatical (publicado em 2005)

 

Dicionário da Língua de Sinais do Brasil: a Libras em Suas Mãos

Publicado em 2001, de autoria de Fernando César Capovilla, Walquíria Duarte Raphael, Janice Gonçalves Temoteo e Antonielle Cantarelli Martins, o Dicionário de Libras passou por várias reformulações até a edição atual, o Dicionário da Língua de Sinais do Brasil: a Libras em Suas Mãos, lançado em 2017. São 13 mil sinais em Libras divididos em três volumes.

A descrição da etimologia do sinal é feita pela análise dos morfemas que compõem sua estrutura, e uma breve análise do parentesco semântico entre o sinal e outros sinais que compartilham alguns de seus morfemas moleculares. O livro traz ainda a soletração digital em Libras por meio da fonte Capovilla-Raphael, permitindo à criança surda analisar a composição das palavras escritas e converter letras em formas de mão.

Através de entradas lexicais individuais, o dicionário apresenta os verbetes correspondentes ao sinal em português e inglês, com variações regionais. Ilustrações e descrição detalhada da forma do sinal, além de exemplos ilustrativos do uso funcional apropriado do verbete em frases e a especificação do escopo de validade geográfica em relação aos estados brasileiros. O Dicionário contém a escrita visual direta do sinal em SignWriting, permitindo ao leitor concentrar-se nos traços distintivos que possibilitam diferenciar sinais semelhantes.

Texto: Adriana do Amaral

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