Menos de 10% dos profissionais com deficiência ocupam cargos de liderança

foto de um homem na cadeira de rodas, com uniforme de empresa, dentro de um galpão com muitas caixas empilhadas.
Pessoa com deficiência durante trabalho em empresa de Franca (SP) — Foto: Reprodução EPTV

Maior concentração desses trabalhadores está nos cargos de assistente (57%), segundo pesquisa da Santo Caos em parceria com a Catho.

Por G1 em 17/09/2019

Menos de 10% dos profissionais que têm algum tipo de deficiência ocupam postos de liderança nas organizações. É o que revela pesquisa da Santo Caos, consultoria de engajamento por meio da diversidade, em parceria com a Catho.

A pesquisa, realizada com mais de 1.000 participantes, entre gestores e profissionais com deficiência, apontou as funções em que esses profissionais mais são encontrados: 

  • assistente (57%)
  • analista (17%)
  • técnico (12%)
  • coordenador (5%)
  • gerente (4%)
  • aprendiz (3%)
  • estagiário (2%)
  • diretor (0,4%) 
  • vice-presidente e/ou presidente (0,2%) 

Para a gerente sênior da Catho, Tábitha Laurino, os dados refletem uma rasa inclusão, em que a contratação tende a ser feita apenas para o cumprimento da Lei de Cotas. Neste cenário, encontram-se profissionais que, quando contratados, possuem baixas perspectivas profissionais e pessoais, somado também à desmotivação.

A lei de cotas foi criada há 28 anos para garantir o emprego às pessoas com deficiência física, auditiva, visual, mental e múltipla. No Brasil há 31 milhões de deficientes em idade produtiva, mas apenas 418 mil estão empregados, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Ministério do Trabalho de 2018. 

A Lei 8213/91 determina que empresas de 100 funcionários ou mais incluam de 2% a 5% dos cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiências habilitadas na seguinte proporção:

  • até 200 empregados: 2%
  • de 201 a 500 empregados: 3%
  • de 501 a 1.000 empregados: 4%
  • de 1.001 em diante: 5%

“Os dados evidenciam que as empresas possuem um espaço para crescer. Existem diversas práticas que podem ser aplicadas no ambiente corporativo, tais como a aplicação de grupos de discussão, onde esse profissional pode ser ouvido de forma efetiva; encontros com experiências sensoriais, onde toda a equipe de trabalho pode vivenciar minimamente sobre como é a vida de uma pessoa com deficiência, reuniões de feedbacks entre os times; dentre outros”, afirma a gestora.

Já para Guilherme Françolin, sócio-diretor da Santo Caos, ainda há uma grande barreira para ser quebrada na maneira como as empresas enxergam o desenvolvimento de pessoas e a promoção de pessoas com deficiência. 

“Capacidade de liderança estão ligadas a competências comportamentais e técnicas. Entretanto, sabemos que ter deficiência não impede uma pessoa de ter a capacidade de liderar. Dar oportunidade, representatividade e visibilidade são fundamentais para tirarmos os profissionais dos cargos de entrada. Afinal, a busca das organizações atualmente é por líderes com maior empatia, capacidade de mudança e adaptação. Acreditamos que uma gestão inclusiva e diversa são fundamentais para engajar a equipe a lidar com cenários turbulentos e trazer resultados” afirma Françolin.

Isolamento

A falta de perspectiva em um plano de carreira efetivo também reflete diretamente no ambiente corporativo. Ainda segundo a pesquisa, 34% dos profissionais com deficiência se sentem isolados no trabalho. Paralelamente a esse déficit, há o impacto do baixo engajamento também em outros pilares. Um profissional que não se sente parte da equipe não se orgulha do seu local de trabalho e não adere às práticas da empresa.

Para os especialistas, estimular a inclusão traz diversos benefícios como aumento do nível de comprometimento, motivação, engajamento e produtividade; criação de um ambiente de equilíbrio e maior sinergia; estruturação do quadro de funcionários e crescimento contínuo com alcance dos resultados desejados.

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