Mobilidade Urbana e Acessibilidade foram temas da primeira reunião plenária da Câmara em 2018

Numa mesa estão os 4 palestrantes. Ao fundo uma imagem de power point projetada na parede
Da esquerda para direita, os convidados a debater o tema da acessibilidade e mobilidade, Tuca Munhoz, assessor Técnico da SPTrans; Claudiene Mortimer, coordenadora de Acessibilidade do banco Bradesco, Adriano Bandini especialista em diversidade do Citibank (Itaú) e Valdirene Silva, coordenadora Nacional da Coordigualdade e membro do MPT

Dr. Kal, coordenador da Câmara para Inclusão e auditor do MPT dra. Adriane Reis, coordenadora regional da Coordigualdade e membro do MPT

Parte do público e painel com os palestrantes, entre eles a coordenadora nacional da Coordigualdade, Dra Valdirene Assis

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Mobilidade Urbana e a Acessibilidade no Ambiente Empresarial foram os temas da primeira reunião plenária da Câmara Paulista para Inclusão deste ano, realizada no dia 08 de fevereiro, no auditório da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Estado de São Paulo (SRTE).

Cerca de 60 pessoas, entre representantes de empresas, instituições e órgãos públicos, participaram do encontro, cuja abertura foi feita pelo auditor do Ministério do Trabalho e coordenador da Câmara Paulista para Inclusão, Dr. José Carlos do Carmo (Kal), que ressaltou a importância dos temas escolhidos.

Sem acessibilidade não há inclusão

Os palestrantes convidados fizeram suas apresentações seguidas de debates e perguntas da plateia. Tuca Munhoz, assessor Técnico da SPTrans falou sobre “Acessibilidade para as Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida”; Valdirene Silva, coordenadora Nacional da Coordigualdade e membro do MPT apresentou “Acessibilidade segundo a Convenção da ONU e a LBI”,  e para finalizar o painel, Claudiene Mortimer, coordenadora de Acessibilidade do banco Bradesco, e Adriano Bandini especialista em diversidade do Citibank (Itaú) falaram sobre “Experiências e Ações em Acessibilidade nas Empresas”.

Lapa 21

Tuca Munhoz apresentou dois novos projetos de acessibilidade na cidade de São Paulo: o Lapa 21, que cria malhas de acessibilidade nos equipamentos públicos e privados no entorno dos terminais urbanos, e a requalificação de 25 pontos de ônibus junto aos Centros Especializados de Reabilitação (CERs).

O nome Lapa 21 refere-se a um projeto piloto a ser desenvolvido no terminal do bairro da Lapa, e o 21 remete a três significados: o século 21, o dia Nacional de Luta pelos direitos da pessoa com deficiência (21/09) e o cromossomo 21 da Síndrome de Down. O projeto visa preencher a lacuna de acesso aos terminais urbanos pois, enquanto os veículos e os terminais estão preparados para receber as pessoas com deficiência, o entorno não está.

O Lapa 21 abrange a acessibilidade para cadeirantes, idosos, pessoas com deficiência intelectual, e busca um envolvimento participativo da comunidade. Já foram realizadas oito reuniões no bairro da Lapa, com média de 40 pessoas em cada encontro.

O outro projeto, que se refere à requalificação de pontos e paradas de ônibus também é participativo: foi pedido à comissão de pessoas com deficiência 10 endereços de moradias de pessoas com deficiência para requalificar os pontos e trajetos. “Não é mais possível conviver sem acessibilidade no século 21, sobretudo sendo esse conceito um direito humano”, declarou Tuca.

Ausência de acessibilidade é discriminação

Valdirene Silva, coordenadora Nacional da Coordigualdade e membro do MPT salientou que a inclusão das pessoas com deficiência depende da acessibilidade. Esta, por sua vez, compreende comunicação, interação entre as pessoas, adequação do espaço físico, e disponibilidade de tecnologia assistiva, entre outros. “Mas o essencial é que o ambiente de trabalho seja acessível, acolhedor e que permita o pleno gozo dos direitos e liberdades fundamentais das pessoas com deficiência. No mais, a ausência de acessibilidade é uma forma de discriminação, na forma do disposto na LBI”, destacou.

Acessibilidade digital

A acessibilidade digital do banco Bradesco foi apresentada por Claudiene Mortimer, coordenadora do setor. Ela contou que desde 1995 a empresa vem investindo numa ampla gama de serviços que vão desde software de voz a extratos em Braille e em fontes ampliadas, para dar acessibilidade a pessoas com diferentes deficiências. “Nosso enfoque é dar autonomia e independência ao cliente, por isso estamos investindo para traduzir as 30 mil páginas do site do banco na Língua Brasileira de Sinais – Libras. As iniciativas não param e engajamos também nossos funcionários nestes projetos”, declarou Claudiene. 

Ela citou ainda a linha de crédito com juros diferenciados para as pessoas com deficiência e para empresários que invistam em projetos de acessibilidade, além de cursos gratuitos de informática para pessoas com deficiência, oferecidos pela Fundação Bradesco.

Barreiras a acessibilidade

Adriano Bandini, especialista em diversidade do Citibank-Itaú, contou a experiência do banco em relação a estender os benefícios de estacionamento e home office (tele trabalho), que a instituição bancária adota desde 2011, às pessoas com deficiência. “O banco homologou algumas áreas para testar o modelo de tele trabalho, e a nossa área olhou isso como oportunidade para as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida”, comentou Adriano.

“O uso do home office é uma possibilidade para preservar a saúde das pessoas, devido a vários fatores, incluindo esforços no trajeto”, afirmou. Para chegar a esse consenso houve envolvimento da área médica, que fez um levantamento de números de adoecimentos e acidentes no trajeto dessas pessoas.

Sobre a questão do estacionamento, a área usou o mesmo princípio de olhar para o adoecimento daqueles que não eram elegíveis para o tele trabalho, principalmente os que trabalhavam com segurança da informação, para que eles pudessem usufruir do estacionamento da empresa, mesmo não tendo cargos de diretoria. O benefício ao estacionamento, pago pela companhia, foi estendido a pessoas com problemas de mobilidade e não somente cadeirantes. “Trabalhar numa cultura desejada devolve às pessoas a motivação, através  do link de valor e proposta”, completou Adriano.

Após os debates, Dr. Kal apresentou a nova coordenadora Regional da Coordigualdade, Dra. Adriana Reis que se colocou à disposição para o que for necessário tanto na Coordigualdade, quanto no Ministério Público do Trabalho.

Dr. Kal também anunciou a presença de Fábio Uzunof, professor do Instituto Mauá, que falou sobre o novo formato de pós graduação modular inédito no  Brasil lançado pela instituição. Nele é possível iniciar o  seu MBA de Gestão de Talentos e Diversidade  através da combinação de até 3 módulos  de 120 Horas (1 semestre cada) que com o   TCC permitem a obtenção de sua  titulação no seu tempo, ou seja, sem a necessidade do cursar  os módulos sequencialmente. Por exemplo é possível inicial o MBA no 1º  semestre de  2018, com um módulo especifico,  pausar no 2º semestre e voltar em 2019 com mais dois módulos e o TCC.

O encontro foi finalizado pelo Dr. Kal, que convidou os presentes para um coffee break com bolos e sucos oferecido pela Hirota Foods.

 

Por Sílvia e Stela Masson, 11/02/2018

 

Apresentações utilizadas na reunião:

“Iniciativas da SPTrans para a Ampliação da Acessibilidade para as Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida” – Tuca Munhoz: https://goo.gl/rPQGb2  | Requalificação de Acessibilidade junto aos Centros de Reabilitação: https://goo.gl/ys6kWL

“Mobilidade Urbana e Acessibilidade” – Adriano Bandini: https://goo.gl/Na2Haq

 

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