ONG brasileira que promove a inclusão participa de evento na ONU

No primeiro plano a foto mostra um monitor onde se lê #wearenexus. Ao fundo auditório lotado e uma pessoa no palco, de chapéu de cowboy, fala ao microfone
Encontro de filantropos e empreendedores sociais, na ONU, em Nova Iorque, que convidou a ONG brasileira Turma do Jiló, para mostrar seu trabalho de inclusão educacional. Foto: Melton Foundation/Divulgação

Publicado em: 28/08/2017


A ONG brasileira Turma do Jiló, de São Paulo, foi uma das organizações escolhidas para participar da Nexus Global Summit, evento sobre Filantropia Inovadora e Empreendedorismo Social, que aconteceu no mês de julho na sede das Nações Unidas em Nova York. A Nexus tem representantes em 70 países do mundo e a divisão brasileira conheceu a Turma do Jiló e fez o convite – prontamente aceito.

A Conferência contou com mais de 500 novos filantropos, investidores sociais de todo o mundo para a troca e o aprendizado entre as novas gerações de empreendedores sociais, ativistas e investidores sociais de impacto. Foram ouvidos jovens líderes e funcionários da ONU para encontrar soluções criativas e iniciativas para os grandes desafios globais que o mundo passa hoje.

A fundadora e presidente da ONG Turma do Jiló, Carolina Resende Videira informa que a ONG trabalha há quase 8 anos com inclusão educacional de deficientes entre 2 e 21 anos, focando em acessibilidade (reformando e adaptando escolas), capacitação de professores e funcionários, e empoderamento da família e dos alunos (contando com o apoio de advogados, psicólogos e serviço social).

Mãe de João, que tem dificuldades de locomoção e de fala decorrentes de uma síndrome rara, Carolina se sentiu inspirada a lutar pelos direitos das crianças à educação, observando as dificuldades que enfrentava com o próprio filho. E ele está longe de ser exceção: atualmente, 61% dos 45,6 milhões de deficientes no Brasil não têm instrução ou ensino fundamental completo. Apenas 6,7% concluíram o ensino superior. “Quando matriculamos o João na escola, percebemos a dificuldade em transmitir o conteúdo pedagógico para uma criança com essas limitações. Começamos a buscar mundo afora outras opções, trabalhos que já estavam mais avançados porque toda criança é capaz de aprender. A Turma do Jiló é baseada nisso, para ajudar crianças na mesma situação”, conta a fundadora.

Carolina Vieira ressalta que mesmo as escolas privadas encontram “caminhos para negar vagas aos alunos” e alegam não ter estrutura para atender crianças e adolescentes com deficiência.

Os pais, com medo de rejeição, acabam optando por não matricularem os filhos. A rede pública é obrigada a receber os alunos com deficiência a partir do Ensino Fundamental, o que deixa a escola na primeira infância (pré-escolar) em um limbo. “O aluno ir para a escola não é o suficiente. Ele não pode ir pra lá apenas para o convívio social, a escola precisa ter capacidade de ensinar esse aluno a aprender”.

Mas existem avanços. Para Carolina, o Brasil vive “uma onda inclusiva” e o assunto está na moda, especialmente após os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro em 2016. “Agora a gente precisa se conscientizar que essas pessoas precisam de oportunidades e, para isso, elas precisam estar na escola”, conclui Carolina.

Fonte: https://br.sputniknews.com/brasil/201707298981365-turma-jilo-onu-nexus/

 

Por Stela Masson, 17/08/2017

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