Secretaria Municipal é conduzida por dois profissionais com deficiência

Marinalva da Silva Cruz (Nalva), a nova secretária adjunta da Secretaria da Pessoa com Deficiência do Município de São Paulo, ao lado do secretário Cid Torquato, titular da pasta

Publicado em: 22/01/2017


Marinalva da Silva Cruz (Nalva), a nova secretária adjunta da Secretaria da Pessoa com Deficiência do Município de São Paulo (SMPED) forma, juntamente com o secretário Cid Torquato, a linha de frente de representação da pessoa com deficiência, pois ambos têm trajetória de competente trabalho nesse setor, e personificam o lema das pessoas com deficiência, que é “nada sobre nós sem nós”. Recentemente neste site foi publicado o perfil do secretário Cid Torquato, e esta matéria é dedicada ao perfil da secretária adjunta.

Nascida em Canhotinho, interior de Pernambuco, Nalva é graduada em Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos pela UniSant’Anna e Pós-Graduanda em Gestão Pública pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Conhecida por seu trabalho de mais de 13 anos na Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (SERT) do Governo do Estado de São Paulo destacou-se, nos últimos oito anos, à frente do Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência (PADEF), desenvolvendo ações para geração de emprego, trabalho e renda, para o cidadão com deficiência.

Aos 37 anos completados em janeiro, ela ainda traz na bagagem mais de 15 anos no Sistema Nacional de Emprego (SINE-SP),  e experiência como palestrante em feiras, fóruns e seminários, sempre com foco na inclusão social e profissional da população com deficiência. Toda essa atividade profissional, porém, não exclui de seu currículo a realidade de tantos outros profissionais. “Já tive muita dificuldade em conseguir uma oportunidade de emprego no mercado formal, principalmente quando estava em busca do primeiro emprego”, relata ela que tem a altura de 1,37m, em função da Cifo Escoliose Congênita Idiopática,

Embora não atribua sua dificuldade ao fato de ser uma pessoa com deficiência, a secretária adjunta sabe que o trabalho ainda não é uma realidade na vida de muitos profissionais com deficiência e, segundo ela, isso ocorre por diversos fatores. “Em especial, à falta de conhecimento quanto às habilidades e competências do indivíduo com deficiência por parte dos gestores,  além das barreiras arquitetônicas e comunicacionais existentes”.

A secretária adjunta ressalta a importância das políticas públicas para a efetivação dos direitos com igualdade de oportunidades. “Para eliminar barreiras comunicacionais, as políticas públicas precisam ser transversais e trabalhar o conceito de equidade. Cada pessoa deve ser olhada de forma individualizada, levando em consideração fatores como a diversidade de gênero e a orientação sexual”.

Mulher com deficiência

“Durante toda minha trajetória na área da empregabilidade, percebo que há avanços, mas a diferença salarial entre homens e mulheres, com ou sem deficiência ainda existe”. Para ela,  a mulher com deficiência, muitas vezes, é duplamente prejudicada. “Em muitos processos seletivos é comum a escolha por determinados tipos de deficiência ou gênero. Há oportunidades para mulheres com deficiência, porém, nem sempre há igualdade na carreira profissional”, analisa.

A executiva atribui muitos dos avanços Sdo trabalho formal nos últimos anos à Lei de Cotas, que impulsionou o mercado. Para exemplificar, aponta o fato de haver coordenadorias e secretarias para tratar questões relacionadas à pessoa com deficiência em todas as esferas do governo. “É um grande avanço, porém o Brasil ainda está longe de cumprir o que determina o Art. 93 da Lei 8.213/91 (empresas com 100 ou mais empregados estão obrigadas a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiência)”.

A educação inclusiva é outro fator que, segundo ela,  irá impactar positivamente no processo de empregabilidade da população com deficiência. “Se cada vez mais tivermos pessoas com e sem deficiência compartilhando os mesmos espaços e experiências, a sociedade terá menos preconceito e mais consciência em relação às potencialidades de todo e qualquer cidadão. As pessoas não irão focar na deficiência e terão uma visão mais ampla”.

Essa é a linha de trabalho que a secretária pretende desenvolver juntamente com o secretário Cid Torquato. “É fundamental compreender que as pessoas têm realidades e necessidades diferentes, e que as pessoas com deficiência estão ou podem estar presentes em todos os outros grupos,  vulneráveis ou não”.

Marinalva Cruz integrou o Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência (CEAPcD, foi delegada da Conferência Estadual e Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência e da Conferência Estadual do Emprego e Trabalho Decente. É membro da Secretaria Administrativa da Câmara Paulista para Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho Formal e professora na pós-graduação em Gestão da Pessoa com Deficiência do Instituto Mauá de Tecnologia de São Paulo.

Por Stela Masson, 17-01-2017

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