Pesquisadores trabalham no Dossiê COVID-19 COMO UMA DOENÇA RELACIONADA AO TRABALHO. Responda a pesquisa.

Foto de frente do Dr. José Carlos do Carmo, kal., da cintura para cima. Ele é um homem de cabelos grisalhos, usa óculos, barba curta, e está com uma camisa preta.
Dr. José Carlos do Carmo.

Publicado em: 15/04/2021


Se você é uma pessoa com deficiência, responda a pesquisa: https://www.congressointernacionaldotrabalho.com/question%C3%A1rio

FONTE: Congresso internacional de Ciências do Trabalho, Meio Ambiente e Saúde

O projeto de pesquisa DOSSIÊ Covid no Trabalho incluiu os trabalhadores com deficiência envolvidos em atividades essenciais e, portanto, expostos à contaminação pelo Coronavírus. Embora forme um dos menores grupos de profissionais em atividade nesta pandemia, é importante que se conheça suas condições de trabalho, em virtude de certas particularidades impostas pela limitação a que estão sujeitos. “Essas particularidades podem colocá-los em situação de maior risco de contaminação e merecem ser consideradas em qualquer estudo que se faça a respeito da COVID-19. Normalmente, as pesquisas envolvendo trabalhadores fazem recortes relacionados a diferentes características da população estudada, como cor de pele, gênero, idade e outras, mas não consideram a questão da deficiência“, afirma o médico José Carlos do Carmo, especialista em medicina do trabalho e mestre em Saúde Pública pela USP e um dos pesquisadores que lideram o grupo. Não há informações a respeito de outra investigação do tipo que inclua esse grupo social.

Com o nome formal COVID-19 COMO UMA DOENÇA RELACIONADA AO TRABALHO, a pesquisa tenta cobrir uma lacuna nas estatísticas oficiais, que não informam a profissão ou local de trabalho das pessoas que são diagnosticadas com COVID. Sem esse dado, fica impossível saber o nível de risco a que se expõem os trabalhadores que estão mantendo a sociedade funcionando, garantindo que possamos ter comida, água, combustível, atendimento médico e transporte, atividades onde tem sido registrado grandes níveis de contaminação. 

“A sociedade deve garantir  a essas pessoas que estão se expondo a garantia do maior amparo social caso adoeçam”, diz a médica Maria Maeno, também membro do grupo de pesquisa.

A favor do reconhecimento do caráter ocupacional da COVID-19 há vários argumentos, entre os quais o caráter comunitário da doença e a grande proporção de assintomáticos, que implicam o aumento de risco de exposição ao vírus sempre que qualquer pessoa  entra em contato com outra, que esteja contaminada, mesmo que sem sintomas. A escassez de informações sobre como as pessoas trabalham nesta pandemia motivou o grupo de pesquisadores envolvidos de várias formas na proteção da saúde dos trabalhadores a desenvolver esse projeto. O objetivo primeiro é dar visibilidade aos diferentes cenários de trabalho no mercado formal e informal.

Para isso, o DOSSIÊ Covid no Trabalho reuniu 23 pesquisadores, que atuam com grupos diferentes de trabalhadores, em um grande esforço de pesquisa. Os questionários – distribuídos online – foram construídos a partir de discussões com as lideranças de cada categoria, o que resultou em quatro versões: uma geral, outra para os bancários, uma terceira para os radialistas e a quarta para empregadas domésticas e cuidadoras (ou empregados domésticos e cuidadores). A distribuição e divulgação dos questionários está sendo feita com apoio logístico dos sindicatos e agremiações parceiras e em pouco mais de quatro meses, receberam 2094 respostas (até 16 de março).

Os questionários também incluem canais para pedidos de ajuda e orientação, o que acabou gerando uma grande demanda por questões urgentes. O grupo de pesquisa decidiu, então, passar a monitorar diariamente esses pedidos, montando um plantão para atendimento dos que precisam de ajuda imediata. “É angustiante receber pedidos de ajuda para alimentação, por exemplo. Algumas pessoas pedem cesta básica. Há também muitas queixas de natureza psicológica”, conta a química Cristiane Queiroz Barbeiro Lima, especialista em ergonomia de sistemas de produção, mestre em Engenharia pela USP e pesquisadora do projeto.

​Para conhecer todos os pesquisadores e parceiros envolvidos nesta pesquisa, acesse o site DOSSIÊ Covid no Trabalho.

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