Relatos de um professor surdo geram produção de livro na região amazônica

Em fundo amarelo com letras pretas, capa do livro “Interpretação de Libras retextualizando sinalizações de um professor surdo” traz informações, ilustrações de mãos e fotografia do autor, Ozivan Perdigão Santos

Quando um pesquisador transforma histórias pessoais artigo científico os resultados extrapolam os muros das universidades. Foi assim com a dissertação de mestrado que culminou na obra Interpretação de Libras, retextualizando sinalização de um professor surdo. O livro vislumbra a comunidade surda e ouvinte da região amazônica a partir da vivência do professor Cleber Couto, que tem deficiência auditiva e leciona na rede municipal de ensino de Belém do Pará.

O autor, Ozivan Perdigão Santos, que coordena o Curso de Letras Libras da Universidade Estadual do Pará (UEPA), prima pela abordagem clara e direta ao interpretar “uma língua visual gestual para uma lingual oral-auditiva”. No livro, ele enfocou as diferenças entre a tradução e a interpretação “tendo como ponto de partida a área científica dos Estudos de Tradução, que aborda diversas vertentes e cosmovisões tradutórias por meio das linguagens, buscando despertar percursos  e vivências por meio de libras”.

À reportagem da Câmara Paulista, explicou que a ideia foi apresentar esta literatura sobre os processos de interpretação de Libras a todo o Brasil. “Em nosso país, este tipo de investigação ainda está em ascensão”, justifica ressaltando que o livro é dirigido a professores, intérpretes da Língua Brasileira de Sinais, pessoas surdas e ouvintes.

Ao longo das 97 páginas, destacam-se as expressões idiomáticas locais e os discursos interpretativos dos intérpretes de Libras. Afinal, o personagem do livro, que também é professor de Libras, está imerso na realidade amazônica,  explicitada em suas “falas” e vivências.

Objeto da pesquisa acadêmica, os relatos foram gravados em vídeo, através da narrativa sinalizada. Depois, as filmagens foram transladadas por seis intérpretes de Libras, que transcreveram e adaptaram a narrativa para a língua portuguesa em sua modalidade oral.

“Desse modo, o autor também aponta as diferenças entre a tradução e a interpretação, tendo como ponto de partida a área científica dos Estudos  de Tradução, que aborda diversas vertentes e cosmovisões tradutórias pro meio das linguagens , buscando também  despertar percursos  e vivências por meio de libras.” O livro foi publicado pela editora Appris.

Pará investe na disseminação da Libras

Disciplina regular da UEPA, o curso de Letras Libras é ministrado para alunos surdos e ouvintes. Seis professores respondem pelo trabalho, sendo quatro graduados em Letras Português, um graduado em Letras Libras (licenciatura UEPA) e um bacharel em Letras Libras (UFSC).

Ozivan conta que são mais de 30 surdos (as) discentes, mesclando alunos oralizados (tanto em linguagem oral como na escrita da Língua portuguesa) como alfabetizados em Língua de Sinais como a primeira língua. Os alunos são egressos das escolas públicas inclusivas de Belém do Pará. Entre elas as instituições de ensino fundamental menor para surdos: Instituto Felipe Smaldone e Unidade de Educação Especializada Prof. Astério de Campos.

Serviço:

Detalhes sobre o livro no link:https://www.editoraappris.com.br/produto/1245-interpretao-de-libras-retextualizando-sinalizaes-de-um-professor-surdo

Texto: Adriana do Amaral

Voltar para Notícias